'Vai vadiar': excesso de proteção contra palmadas e aprendizado

Em alusão à música de Zeca Pagodinho, a Guarda Municipal de Birigui protagonizou um episódio na última quarta (22) que, embora legal, causou revolta devido aos rumos que a juventude vem tomando atualmente. Após denúncia anônima, houve movimentação, inclusive, do secretário de Segurança Pública à estrada municipal Birigui-Taquari, para apreender um menino de 13 anos que estava tocando 22 duas cabeças de gado. Não faltaram comentários contrários.

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O menor, que aparentemente estaria trabalhando, conforme deduziram o denunciante e os que acataram a denúncia, foi apreendido, juntamente com as cabeças de gado, que serão liberadas ao proprietário mediante pagamento de multa. Proteger a infância e adolescência, conforme prega o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), garantindo estudo, saúde, bem-estar físico e mental, lazer e diversão, deve ser obrigação do Estado, assim como manter as crianças e adolescentes afastadas da marginalidade, das drogas, do ócio e dos descaminhos que possam conduzir a tais problemas. Está se criando uma geração de adolescentes revoltados e violentos, que não conhece limites e não respeita o próximo.

Sabe-se que em casa, as meninas aprendem a cozinhar, lavar e passar, sendo que isso não pode ser considerado trabalho infantil. Por outro lado, a lida no campo é passada de pai para filho e muitos adolescentes ajudam nas tarefas do pais que moram em sítios ou fazendas e são peões de boiadeiro, profissão já não muito comum atualmente. Ordenhar vacas, manejar o gado, tocar a boiada, laçar, curar bezerros, tudo isso faz parte da cultura do homem do campo e as crianças participam no dia a dia. Assim como as meninas produzem queijos, doces, além dos afazeres domésticos.

Isso não os impede de estudar ou de brincar. Ao contrário, são interesses que os mantêm afastados das drogas, que lhes ocupam de maneira produtiva e que lhes preparam para viver uma vida com dignidade.

Enquanto muitas crianças e adolescentes saem da cidade e pagam para ter contato com o campo, cavalos e gado, para aprender a lidar com a boiada, andar a cavalo, estas crianças podem fazer isso no seu dia a dia e não há como dizer que isso não é uma forma de diversão, pois o trabalho que é feito com gosto, com paixão, é mais prazeroso.

Talvez o correto fosse deixar esse adolescente o dia inteiro em frente a um computador, na internet, falando com estranhos, tendo acesso a toda a sorte de informações desconexas e errôneas, poluindo sua mente e alterando sua realidade, a fim de que se torne mais um delinquente juvenil a vadiar pelas ruas, a usar drogas e assaltar, a morder e empurrar professores. Essas são as leis brasileiras. E é assim que a juventude vai se perdendo em meio a tanta proteção contra palmadas e contra os aprendizados da própria realidade em que vivem.