Uma região órfã de hospitais

A região de Araçatuba testemunhou, no último fim de semana, o fechamento de mais um hospital. Desta vez, foi o São Luiz Gonzaga, em Luiziânia. Como em outras situações ocorridas recentemente, o encerramento daquela unidade de saúde está ligado a dificuldades financeiras. O prefeito Ricardo Bertaglia (PMDB) decidiu não encaminhar mais recursos àquele serviço amparado em lei que impede municípios de fazer repasses para associações em situação irregular. Em entrevista à Folha na edição do último domingo, ele disse que a entidade administradora do hospital tem dívidas previdenciárias e com o FGTS, além de multas e bloqueios judiciais.

Este foi pelo menos o terceiro hospital a fechar, na região, nos últimos cinco anos. Primeiro, a Santa Casa de Murutinga do Sul. Em fevereiro, o Hospital Padre Bernardo de Bilac. E, agora, o de Luiziânia. Esse quadro dramático traz uma série de preocupações que vão além dos prejuízos, já previstos, para a população dos municípios onde ocorreram os fechamentos. Trata-se da sobrecarga de serviços na combalida rede municipal de saúde e das santas casas das cidades vizinhas.

Quando o hospital de Bilac fechou, em fevereiro, ficou decidido que os pacientes que necessitam de atendimento de urgência e emergência seriam encaminhados para outras unidades de saúde da região, como a Santa Casa de Birigui. No caso de Luiziânia, o prefeito informou ter feito uma adequação no posto de saúde do município para urgência e emergência, enquanto casos de alta complexidade serão encaminhados para a Santa Casa de Penápolis. No caso de Murutinga do Sul, a Prefeitura faria adequação no prédio que, um dia, funcionou a Santa Casa com o objetivo de transformá-lo em um pronto atendimento e uma UBS (Unidade Básica de Saúde).

Ao mesmo tempo em que hospitais existentes nas cidades começam a perder o fôlego, acometidos por crises financeiras, as santas casas, em geral, encontram-se em estado de socorro envolta a problemas administrativos e de falta de recursos. Na região, há os exemplos das santas casas de Penápolis e Guararapes, que, recentemente, sofreram intervenção das prefeituras.

O encerramento das atividades de hospitais revela, por outro lado, o fracasso de modelos de gestão. Nos casos de Luiziânia e de Bilac, o gerenciamento cabia a entidades contratadas. Seria a hora, então, de uma redefinição nas formas de se administrar serviços de saúde? 
Na esfera pública, o Ministério Público já tem se colocado contra a terceirização, em alguns casos, obtendo vitória nos tribunais. É um tipo de problema que precisa ser resolvido o quanto antes para que, no fim, a população não seja prejudicada.

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