Reportagem publicada pela Folha sobre a tragédia com avião da TAM

Tragédia no voo 3054: Vítimas de Birigui voltavam de festa de Ronaldinho Gaúcho

Aeroporto não é mais o mesmo de dez anos atrás

As quatro vítimas de Birigui retornavam no voo da TAM de Porto Alegre a São Paulo após participar de uma festa do jogador Ronaldinho Gaúcho, no município de Eldorado do Sul. Márcio, que foi jogador de futebol e atuou na AEA (Associação Esportiva Araçatuba) e no BEC (Bandeirante Esporte Clube), trabalhava como agente de jogadores.

Ele estava em Porto Alegre, também a trabalho. André, irmão de Melissa e recém-aprovado no exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), aproveitou a companhia da irmã para passear. 

RELAÇÃO
A faculdade de educação física rendeu mais que uma profissão a Melissa. Foi durante a graduação que conheceu o marido, Márcio, com quem era casada havia seis anos. Ela o acompanhou durante a viagem ao Japão, País em que permaneceu até o sétimo mês de gravidez de Alanis. De acordo com familiares, Melissa era conhecida por seu jeito alegre e por sua vontade de reunir as pessoas que gostava sempre que tinha oportunidade. 

Apesar de morar em Birigui desde que voltou do Japão com a esposa, Márcio era figura fácil pelas ruas de Monte Aprazível, na região de São José do Rio Preto. Os amigos costumavam encontrá-lo para partidas de futebol quase todos os finais de semana e, eventualmente, às terças e quintas-feiras. Os corpos foram sepultados no cemitério da Consolação, em Birigui. Além deles, o químico Claudemir Arrieiro Buzaneli, de 43 anos, estava entre as vítimas. Nascido em Braúna, na região de Araçatuba, tendo morado em Luiziânia, ele foi velado e sepultado em São Paulo, onde morava com mulher e filhos.

ACIDENTE
A aeronave ultrapassou o fim da pista 35L do aeroporto de Congonhas, durante o pouso, chocando-se contra um depósito de cargas da própria TAM, situado nas proximidades da cabeceira da pista, no lado oposto da avenida Washington Luís, que delimita o aeroporto. Estavam no avião 187 pessoas. Doze pessoas que trabalhavam no prédio da TAM Express e um taxista que estava no posto de gasolina ao lado morreram na colisão, totalizando as 199 vítimas fatais.

O IML (Instituto Médico Legal) realizou exames de DNA, arcada dentária e impressão digital para identificar os mortos, além da identificação feita por parentes das vítimas. No total, 195 corpos foram identificados. Em 16 de setembro de 2007, o IML comunicou oficialmente os familiares das quatro vítimas não localizadas que não foram identificados fragmentos deles em todo o material analisado, dando assim por concluído o trabalho.

O acidente com voo 3054 foi o pior da história do transporte aéreo da América Latina por 22 meses, até a queda do voo AF 447, da Air France, em 31 de maio de 2009, além de ser o pior e mais mortal acidente envolvendo um Airbus A320 no mundo. 


Dez anos depois, aeroporto de 
Congonhas passou por melhorias

Dez anos após a tragédia com o voo 3054, o aeroporto de Congonhas passou por uma série de melhorias e voltou a crescer, transportando 20,8 milhões de pessoas por ano (2016), ultrapassando o recorde de passageiros que havia sido registrado um ano antes da tragédia (18,4 milhões).

O aeroporto, segundo maior em movimento do Brasil e atrás apenas para o de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, não é mais o mesmo de dez anos atrás.

Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), as duas pistas “encolheram” para que “áreas de escape” fossem consideradas no cálculo de segurança do pouso e decolagem de aeronaves. Além disso, os aviões de carreira que lá pousam têm de fazê-lo com menos combustível e a pista auxiliar só pode ser usada por eles para decolagens. Ao todo, por hora, Congonhas abriga 38 subidas e descidas.

O órgão determinou ainda que só pilotos com mais de 100 horas de voo, que tenham treinado arremetida após o trem de pouso tocar no solo, podem pousar ou decolar Boeings e Airbus em Congonhas. 

O aeroporto recebeu uma nova torre de controle em 2013 e, em junho, a pista principal passou por nova reforma para impedir acúmulo de água no lugar. Toda semana, são feitas medições do coeficiente de atrito da pista e, a cada 15 dias, da textura dela para verificar sua “profundidade média”.

O acidente fez nascer em 2014 lei que separa a investigação judicial — criminal e civil — da apuração das causas do acidente. Os três acusados de colocar em risco a segurança aérea foram absolvidos em junho pelo TRF-SP (Tribunal Regional Federal da 3ª Região de São Paulo). Dez anos depois, a Justiça decidiu que não havia quem punir.


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