Sensação de segurança

A violência no Brasil é histórica. Veio juntamente com a escravização de negros e índios

Números divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado mostram que a população pode se sentir mais segura, ao menos, por enquanto. As estatísticas apontam queda nos índices de violência, o que, em geral, deixa a região com saldo favorável. Embora alguns crimes tenham tido pequeno aumento, a maioria dos indicadores mostra queda acentuada.

Os casos de homicídio doloso, quando se tem a intenção de matar, tiveram queda de 15%, e as tentativa de homicídio, por exemplo, somaram quatro casos a menos do que em 2016. Se, por um lado, os esforços das forças policiais começam a surtir efeitos, por outro, tem-se que os indicadores que tiveram aumento não se resumem aos casos de crimes que dependam de coação. Os crimes de natureza sexual, como estupro e estupro de vulnerável, tiveram alta. Isso pode significar que tem havido mais casos de denúncia deste tipo de delito, antes “abafadas” tanto pelas vítimas quanto por seus familiares.

Ainda na contra-mão da redução dos números, pode-se verificar os casos de furtos a veículos, que tiveram queda em todo o Estado, menos na região de Araçatuba. A interiorização dos presídios ainda pode ser considerada um dos fatores de maior preocupação para a população, pois, junto com as verbas enviadas aos municípios e os presos, vêm, sem sombra de dúvidas, todo um movimento de interiorização da criminalidade.

A violência no Brasil é histórica. Veio juntamente com a escravi-zação dos negros e dos índios para a produção de riquezas para alguns. A desigualdade social é um fator que fomenta o aumento dessa violência, assim como a frustração de uma grande parcela da população de não poder adquirir bens de consumo para satisfazer seus anseios porque a perspectiva de ter um emprego condizente com seus desejos e necessidades é baixíssima. O tráfico de drogas também entra nestes índices com grande parcela de culpa. 

Por mais que se aparelhe a polícia — tanto em termos de equipamento quanto de pessoas —, o Judiciário deve garantir a justiça contra aqueles que são criminosos. Se o Estado não fizer a sua parte, combatendo a corrupção e a população não tiver consciência do que vem gerando a violência, os índices continuarão altos, embora apresentem queda. No Brasil, resolver a questão da violência passa, sem sombra de dúvidas, por melhores condições de vida à população, reduzindo, por exemplo, a carga tributária e combatendo a corrupção, além de melhores condições de moradia, saúde e, principalmente, educação. Nesse ponto, a corrupção, que tira dos mais necessitados os direitos básicos, é uma das piores vertentes desta violência.

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