Segurança também se faz com investimento em prevenção

"Se você colocar um delegado numa cidade de mil habitantes, ele vai pescar, não tem sentido isso". A frase foi do governador Geraldo Alckmin (PSDB) a uma emissora de tevê regional, ao comentar decisão do início deste mês que obrigou o Estado a colocar um escrivão e um agente policial na delegacia de Itapura e um escrivão, dois investigadores, um carcereiro e um agente policial na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Ilha Solteira.

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Irônica, a argumentação do tucano procurou fazer valer a máxima de que seria desperdício de dinheiro investir em profissionais de segurança em cidades onde o índice de ocorrências policiais é considerado pequeno. Não é à toa que ele próprio já adiantou que o Estado vai recorrer da decisão. O chefe do Palácio dos Bandeirantes esquece, no entanto, que boas ações de segurança devem se pautar também no trabalho de prevenção.

Se não há como evitar a prática de furtos, roubos, vandalismo e homicídios, tudo o que a população espera é ter a sensação de que está segura. Isso, a presença policial pode garantir em um município pouco populoso. Não dá para se conceber a ideia de que é preciso acontecer um crime para, só assim, a polícia agir.

Há outra questão a se considerar. Existe a tendência de que, quando a polícia intensifica suas ações em regiões dominadas pelos criminosos, os bandidos procurem novas localidades. Reportagem publicada ontem pela Folha revelou que seis das doze cidades da microrregião de Andradina não possuem delegado titular. São elas: Itapura, Guaraçaí, Lavínia, Murutinga do Sul, Nova Independência e Suzanápolis. Em comum, o fato de possuírem contingente populacional pequeno e baixos índices de criminalidade. Itapura só teve um homicídio no ano passado, enquanto Murutinga e Suzanápolis não chegaram a registrar roubos em 2016.

Por outro lado, são cidades próximas a Andradina, um dos maiores municípios da região e que, há tempos, sofre com o crime organizado ligado a gangues. São motivos de sobra para que a população de cidades vizinhas fique ao menos preocupada. Para estes municípios, o Estado acaba de designar delegados para trabalharem de forma cumulativa.

Alckmin, como qualquer outro gestor público, precisa, sim, pensar na austeridade com o gasto público. Porém, segurança, assim como a saúde, é uma área na qual vidas estão em jogo. Daí, a necessidade de investimentos. Mesmo que não venha a colocar delegados nas cidades pequenas ou consiga reverter a decisão da Justiça de Ilha Solteira, alguma resposta o governo paulista precisa dar para que a população se sinta protegida.

NOTA DA SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA
Em resposta ao editorial, a assessoria da Secretaria de Segurança Pública do Estado enviou a seguinte nota:

"A SSP informa que desde 2011 foram contratados para região de Araçatuba 123 policiais civis. Além disso, estão em curso na Acadepol 442 policiais civis, sendo 80 delegados que serão distribuídos em breve para todo o Estado. Também é importante informar que o secretário Mágino Alves Barbosa Filho ouviu recentemente as solicitações de entidades representantes da Polícia Civil e informou que estão sendo realizados estudos junto à Secretaria de Planejamento para avaliar a evolução das receitas e assim definir o ritmo das contratações."
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