Encerramento de safra aconteceu mais cedo para algumas usinas da região

Região elimina 1.018 empregos com carteira assinada em outubro

Desempenho mostra piora no mercado de trabalho em 43 municípios

O ritmo da geração de emprego na região que havia avançado no acumulado de janeiro até setembro deste ano freou em outubro. O mercado de trabalho dos 43 municípios do território eliminou 1.018 vagas formais no mês passado, resultado de 4.699 admissões contra 5.717 demissões. 

O desempenho registrado no décimo mês de 2017 mostra uma piora na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando a região perdeu 878 postos com carteira assinada. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho.

Com as demissões de outubro, o saldo da geração de emprego regional que havia chegado a 6.940 postos de trabalho no acumulado de janeiro a setembro, recuou para 5.922 no acumulado dos dez primeiros meses do ano. O resultado de outubro deste ano foi puxado por cortes na indústria, construção civil e setor de serviços. As fábricas, usinas e destilarias da região fecharam 864 postos de trabalho no mês.

Uma movimentação atípica do setor sucroalcooleiro contribuiu para o resultado, segundo o economista Claudilei Rodrigues da Rocha. "O encerramento de safra aconteceu mais cedo para algumas usinas da região, a partir de final de outubro, por falta de matéria-prima", afirma o economista. Em outros anos, a moagem chegou a se prolongar até dezembro ou janeiro em unidades produtivas do território. 

BURITAMA
Um exemplo de unidade na região que já terminou o processamento de cana na safra atual é uma usina localizada em Buritama. O município registrou o maior volume de cortes no mercado de trabalho na região em outubro, com a perda de 482 postos - resultado de 75 admissões contra 557 demissões. Só a indústria fechou 449 vagas no mês, contra 11 postos encerrados pelo setor em 2016. Em outubro do ano passado, no total, Buritama cortou 42 postos de trabalho.

A usina localizada no município começou o ano com uma operação em três turnos, por isso contratou mais trabalhadores do que no ano passado, segundo a empresa. O número maior de operários ativos resultou em um número de desligamentos proporcional a esse aumento. Como o término da safra para a unidade aconteceu em outubro, as dispensas também ocorreram nesse mês. 

De acordo com Rocha, o clima e a queda nos preços do etanol e do açúcar no início do ano reduziram o volume fornecido de cana-de-açúcar, já que parte de produtores da região que considerou o cultivo menos vantajoso se dedicou parcialmente a outras culturas. Por isso, algumas usinas no território tiveram uma quantidade menor de matéria-prima para esmagar e pararam mais cedo. "Unidades em Penápolis, Araçatuba e Brejo Alegre são alguns exemplos", cita. 

Com os operários das usinas dispensados mais cedo, a economia da região pode ser impactada no final do ano, o que pode afetar o faturamento do comércio no Natal, segundo o economista.


Araçatuba e Birigui registram mais demissões

Depois da indústria, a construção civil foi a que mais eliminou vagas na região no ano passado - foram menos 143 - enquanto a prestação de serviços perdeu 86 empregos com carteira assinada. 

Só em Araçatuba, município com segundo pior saldo de emprego em outubro, o setor de serviços eliminou 199 vagas. A cidade fechou 456 postos de trabalho no décimo mês de 2017, ante 178 do mesmo período no ano anterior. O resultado do município também foi influenciado pelo encerramento de 159 empregos na indústria e 96, na construção civil. 

O saldo regional da prestação de serviços só não foi pior pela abertura de 188 vagas em Ilha Solteira, o que ajudou a equilibrar a média.

CALÇADOS
Birigui teve o terceiro pior saldo do emprego em outubro, com o corte de 245 vagas - ante o recuo de 279 postos em 2016. Só a indústria em Birigui teve saldo negativo de 288 postos no mês passado. As três ocupações que mais demitiram foram costurador de calçados a máquina (-100 vagas), alimentador de linha de produção (-38) e trabalhador polivalente da confecção de calçados (-35). 

ATÍPICO
A indústria calçadista não costuma fazer demissões em outubro, segundo o diretor executivo do Sinbi (Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui), Antenor Marques. Ele destaca que a produção do setor é sazonal e tradicionalmente atinge picos no décimo mês do ano. 

"As demissões deste ano refletem o momento atípico, observado no Brasil inteiro. A indústria do calçado e vestuário continua colhendo os efeitos da crise política que provocou um desarranjo na economia brasileira", disse. Marques explica que as empresas do setor estão trabalhando muito forte para tentar manter o volume de vendas, mas há incertezas porque o comportamento do consumidor oscila muito.

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