Quando não há diálogo

Cabe à própria população julgar o comportamento dos vereadores, sem interferência do prefeito

Circulou, na semana passada, mensagem de voz, por meio do aplicativo Whatsapp, em que o prefeito de Birigui, Cristiano Salmeirão (PTB), conclama moradores dos bairros Jandaia, Planalto e Birigui 1 a comparecerem à sessão da Câmara do próximo dia 7 a fim de pressionar três vereadores da oposição a votar projeto de sua autoria que permite a venda de três terrenos do município. 

Com a negociação, o chefe do Executivo quer pagar a aquisição de uma casa onde pretende implantar uma UBS (Unidade Básica de Saúde). O petebista diz que, se os vereadores Benedito Dafé (PV), Cesinha Pantarotto (Podemos) e Luiz Roberto Ferrari (DEM) se manifestarem de forma contrária ao texto, poderá não haver quórum para a matéria passar no Legislativo. E, assim, aqueles bairros, localizados na periferia da cidade, poderão ficar sem o novo serviço de saúde.

A postura de Salmeirão ilustra a dificuldade de sua gestão de dialogar com adversários políticos. Justamente, um governante que debutou na vida pública no poder Legislativo — antes do atual mandato, ele foi vereador por três legislaturas, sendo presidente da Câmara na última. 

A conduta abre ainda brechas para questionamentos, especialmente quanto a uma possível caracterização de interferência de um poder sobre outro. Salmeirão, como ex-vereador e professor de Direito, sabe muito bem que os poderes são soberanos. Ou seja, deve-se respeitar o voto dos vereadores, por mais que eles contrariem o Executivo. Quanto às consequências da rejeição a um projeto de interesse da população, como o caso da UBS, cabe aos próprios biriguienses julgar.

Ora, em 2009, o próprio Salmeirão, na condição de vereador de oposição ao então governo Wilson Borini (DEM), ajudou a rejeitar o orçamento municipal, uma matéria tão importante quanto a que ele, hoje, à frente do Executivo, tenta emplacar — no caso, a comercialização de áreas públicas. 

Não há dúvidas do quão valiosa é a iniciativa da administração municipal de melhorar as condições da combalida saúde pública de Birigui encontradas no começo do ano. Sendo um dos prefeitos mais jovens da história de Birigui, de Salmeirão, espera-se, não só políticas austeras e arrojadas, mas também condutas que representem a ruptura com tudo aquilo que faz a população ficar cada vez mais descrente da política.

Essa polêmica, por outro lado, é importante para suscitar, sim, a necessidade de maior participação política da população, a fim de saber como prefeitos e vereadores se comportam. Mas, esse julgamento, é bom que se enfatize, cabe aos próprios munícipes. Não, ao prefeito formar a sua opinião. 

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