Clóvis Izidio (PV) trabalhou como gerente em indústrias e possui um pequeno comércio na cidade

Prefeito investe em infraestrutura para tentar gerar empregos

Prefeito de Lavínia, Clóvis Izidio, nunca tinha se candidatado

Seguindo a linha dos novos gestores na política, o prefeito de Lavínia, Clóvis Izidio (PV), nunca tinha se candidatado a nenhum cargo até as eleições do ano passado. Ele também trabalhou como gerente em indústrias e possui um pequeno comércio na cidade. Segundo Izidio, a administração na iniciativa privada e no setor público são parecidas. A diferença é que, neste último, o dinheiro é da população, para a qual o gestor tem que trabalhar. 

Entre os desafios de seu governo, Izidio disse que o maior deles é a geração de empregos. Para isso, ele pretende investir na infraestrutura do município para atrair servidores estaduais que trabalham nos presídios da cidade a se mudarem para Lavínia. 

Confira trechos da entrevista que Izidio concedeu à Folha da Região:
    
Qual a situação do caixa da Prefeitura de Lavínia?
Pegamos a Prefeitura no “azul”, porque teve o advento do repasse dos impostos provenientes da repatriação. Não estava com o caixa alto, mas também não estava negativo. Hoje, a gente continua tendo um superávit em função de alguns pontos que estamos trabalhando em termos de gestão. Nossa despesa está menor do que a receita. Conseguimos fazer a reposição da inflação de 7,17% para os funcionários, no começo do ano. E fizemos também um realinhamento de salários para os servidores, pois (os ganhos) já estavam defasados, sem ter uma atualização real. Atualmente, a folha de pagamento está em 41% da nossa receita. O que nos preocupa bastante do ponto de vista financeiro é que nos herdamos um precatório, com compromisso de pagá-lo até o final do ano. Esse valor atualizado vai chegar próximo a R$ 1 milhão e, para o orçamento de Lavínia, é bastante expressivo. Ou seja, toda economia que nós fizemos até agora e poderíamos estar destinando a obras ou melhorias na educação e saúde, temos que manter para honrar esse compromisso de ordem jurídica. 
    
Qual é o balanço que o senhor faz nesses primeiros meses como prefeito? 
A gente vem da iniciativa privada e quando se fala de gestão é bastante semelhante (com o governo). Obviamente estamos falando de dinheiro público e devemos trabalhar de forma justa. Na iniciativa privada, devemos trabalhar para o acionista ou de acordo com nossas diretrizes, se somos proprietários. Vejo com certa tranquilidade, apesar de não ter experiência na política. É um processo normal. Nossa experiência de vida profissional está nos ajudando. Sempre tenho dito: quem toca o município são os servidores. São pessoas que estão aí há anos. O prefeito, não. Eles cuidam do andamento dos processos no dia a dia e devem ser valorizados. Nesses quatro primeiros meses, incentivamos a capacitação dos servidores. 

A gente tem uma ferramenta de gestão da Prefeitura e poucos tinham acesso à utilização desse sistema. Hoje, estamos fazendo treinamentos. Isso resulta no bom serviço prestado e também na motivação do servidor. No mundo de hoje temos ferramentas na área de tecnologia e, se não soubermos usar, não adianta tê-las. Estou bastante satisfeito, inclusive com o servidor público. Eles têm se dedicado no sentido de que as coisas estão acontecendo. O balanço é positivo. Nos três primeiros meses tivemos o processo de conhecer as rotinas da gestão pública. Tenho ido bastante para São Paulo para buscar recursos. Eu acredito que o prefeito deve ser mais estadista e gestor, do que ficar interferindo nos processos. Temos nossas diretorias, que é outra mudança. 

Muitas coisas são definidas já no departamento e não têm necessidade de chegar até o prefeito. Mas quando é preciso buscar uma solução mais abrangente, sentamos juntos. Estabelecemos uma agenda quinzenal com todos os diretores para discutir problemas, incluindo a área jurídica, pois tudo tem que ser feito com respaldo da lei. 
    
Em sua avaliação, qual é o maior desafio de sua gestão?
Acho que é a questão da geração de empregos. Trabalhamos para estabelecer um minidistrito industrial, que está em andamento nos departamentos de engenharia e jurídico. Nós temos três presídios em Lavínia que empregam muita gente. Só que menos de um terço mora aqui no município. Tem o problema da segurança do servidor que precisa viajar todos os dias. Para o município é ruim, porque eles trabalham aqui, têm seu rendimento aqui e vão gastar na cidade onde moram. A gente está trabalhando na infraestrutura para que o município seja atraente. Esse servidor estadual que trabalha nos presídios, vindo morar em Lavínia, vai poder comprar na padaria, no açougue e no comércio em geral e isso vai gerar empregos. Estou falando com o empreendedor que está com um loteamento em andamento para que a gente possa, juntos, acelerar esse processo. Tendo a oferta de lotes para construir moradias, provavelmente, esses funcionários vão morar aqui. 

Muitas compras das gestões anteriores eram feitas fora do município. Estivemos com o Sebrae tratando da Lei de Licitação e as leis que regulamentam a questão de deixar a micro e pequena empresa em condições de disputar. Assim, você estaria comprando do município e gerando emprego. Existe um estudo que o pessoal do Sebrae apresentou, que mostra que a cada R$ 1 que se compra no município o retorno é de R$ 1,50, na forma de repasse do imposto e geração de emprego. Em longo prazo estamos com um projeto que, para mim, já valeu ter vencido a eleição, em parceria com o Sebrae, que é o “Jovem Empreendedor”. As nossas crianças do primeiro ao nono ano têm uma matéria a mais, que não custou um centavo para o município. Estão aprendendo a ser empreendedores, ganhando noção de custo, receita, lucro. Imagino que esses jovens, daqui a dez anos, vão ter uma noção que eu não tive. Na nossa microrregião, Lavínia está saindo na dianteira. 
    
Tem alguma área que o senhor pretende priorizar?
A educação é o que a gente tem que priorizar, porque em todo o resto vai ter melhoria, em médio e longo prazo, a partir do momento que educamos bem nossos jovens. Se você faz um bom trabalho na área da educação, lá na saúde terá um reflexo positivo; na geração de emprego e no social também. Priorizamos ainda a saúde e a segurança pública. Estamos no advento do quarto presídio.
    
Esta questão dos presídios traz mais insegurança ou benefícios ao município?
Tudo na vida tem um lado positivo e negativo. O que temos que sempre colocar como meta é extrair o máximo do positivo. Tem algum aspecto social, que é difícil de mensurar. A droga está em todos os lugares, independentemente de presídio ou não. Mas com a presença dele faz com que se torne um pouco mais frequente. Outro aspecto são as famílias com alguém que está com problema de vício e não leva isso até a sociedade. Tem o lado positivo do fortalecimento da economia local. Temos visitas às penitenciárias, que fomentam um pouco o comércio, hotéis, pensões e pousadas. Temos um número razoável de táxis também, o que gera uma receita. Hoje, Lavínia está em um ponto de equilíbrio.

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