Rodrigo Zacarias dos Santos aponta diminuição no valor da licitação do pão como um dos primeiros avanços

Prefeito fala em R$ 2 milhões para revitalização de prainha

Zacarias promete atender recomendações para melhorar atração

Com o objetivo de transformar Buritama em estância turística, o prefeito Rodrigo Zacarias dos Santos (PRB) quer investir na revitalização do parque turístico do município. Segundo o chefe do Executivo, o projeto prevê o investimento de R$ 2 milhões no embelezamento da cidade. Atualmente, a transformação da cidade em “Município de Interesse Turístico” aguarda aprovação na Assembleia.

De acordo com Zacarias, a prainha — principal atração turística da cidade — já passou por melhorias, como a instalação de boias para delimitação da área de banhistas e aumento da segurança no local, como horário de fechamento. A Prefeitura teve que firmar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público para evitar o fechamento da área, por causa de irregularidades e mortes que ocorreram na reserva. 

Confira trechos da entrevista que Zacarias concedeu à Folha da Região:
    
No ano passado, o MP entrou com Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) apontando excesso de cargos comissionados na Prefeitura de Buritama. A sua administração está tomando alguma medida em relação a esses cargos?
Existe, inclusive, uma ação do MP contra a nomeação de cargos comissionados. Nós vamos ter uma audiência, marcada para 6 de abril, para ver de qual maneira chegaremos a um denominador comum. Alguns cargos comissionados têm que permanecer e outros que eles (promotores) estão dizendo que nós precisamos concursar. Por exemplo, o chefe de gabinete como você concursa? É um cargo extremamente político, ligado ao prefeito, como outros que seriam de nomeação do prefeito. Porém, existem cargos comissionados que entendemos que são técnicos e não depende de política.        
    
Outra questão envolvendo o MP é sobre a prainha de Buritama. Há um pedido para que sejam feitas melhorias. O município já tem tomado algumas atitudes nesse sentido? 
Nós fizemos um TAC com o MP. Ocorreram algumas irregularidades e essa situação não foi sanada pela gestão anterior. O MP entrou com um pedido para fecharmos a prainha. Nós falamos que não era justo. Não tivemos tempo hábil para fazer o que queremos na prainha. Se, de cara, fecharmos, a população de Buritama e região sofreria com isso. Além do que, a praia também tem arrecadação. Nós estamos redirecionando esse dinheiro para fazer melhorias: colocar boias para limitar a área de banhistas, facilitar o acesso à praia e melhoria nos banheiros. Nós delimitamos um horário de fechamento para que à noite não tenha brigas e uso de drogas. Melhoramos a segurança e o número de salva-vidas. Com relação à praia, nós temos um projeto de revitalização de todo o nosso parque turístico. Inclusive, esse projeto está sendo encampado pelo deputado federal Vinicius Carvalho, do PRB. É um projeto de R$ 2 milhões. Quanto às medidas de segurança, nós já tomamos, em conjunto com o MP, Bombeiros e Polícia Militar. Tudo o que foi proposto nós cumprimos, mas queremos revitalizar a prainha. 

Buritama é hoje uma cidade que está se enquadrando no ‘Município de Interesse Turístico’. Existem 70 estâncias turísticas no Estado de São Paulo e os municípios de interesse turístico. O projeto de Buritama já foi aprovado, agora só precisa ser votado na Assembleia Legislativa. Todos os municípios que forem aprovados já vão receber um valor em torno de R$ 500 mil para fazer melhorias. A cada três anos, vai ocorrer um “campeonato”, por pontuação: duas cidades deixaram de ser de Interesse Turístico e vão passar a ser estância e duas vão deixar de ser estância para ser de interesse turístico. Nós temos muito interesse de que Buritama participe desse processo, porque ela é uma cidade bonita, cercada por águas. São 16 loteamentos à beira do rio. É um município que atrai muitos turistas e anda hoje apenas com a sua “vocação”. Porém, não tem investimento. Por isso, nós estamos correndo atrás, porque a vocação nós já temos.     

Houve bastante instabilidade política em gestões anteriores em Buritama. Como o seu governo pretende combater a corrupção e encarar a questão ética?
Nosso governo é de transparência. Nós quisemos exatamente entrar na política para fazer algo diferente. Temos nosso Portal da Transparência, que é feito da melhor forma possível. Fizemos com que vícios do passado não permanecessem no nosso governo. Inclusive, no nosso setor de licitação que é essencial na Prefeitura. Temos o prazer de ver licitações ocorrerem de maneira aberta e transparente, sem interferência do Poder Executivo. O pão, que era licitado em torno de R$ 10,50, nós conseguimos licitar em R$ 6,00. Nós temos pessoas que acreditam na honestidade e que podemos fazer um trabalho diferente. Ninguém está perseguindo ninguém, pelo contrário. Nós só não aceitamos barganhas, trocas e propina. Queremos trazer cada vez mais a transparência e abrir a nossa administração para a população.    
        
Qual é o balanço que o senhor faz dos três primeiros meses de governo?
Muita dificuldade no começo. Foi proposto pelo governo anterior um processo de transição. Ele serve para que a administração não pare no seu início. Mas isso não ocorreu. Nenhum contrato foi aditado. Todos eles venceram no dia 31 de dezembro do ano passado. Terminou o período político em outubro e a Prefeitura deixou de atender a população como ela merecia. Nós recebemos em janeiro (o município) com falta de medicamento, com contratos vencidos de combustível e material escolar. Tivemos que começar do zero. Foi necessário fazer vários contratos emergenciais e na compra direta. Estamos ainda colocando o trem nos trilhos. 
    
Como está a questão financeira do município?
Nós encontramos a Prefeitura com dívidas a vencer. Há funcionários com três, quatro e até cinco férias vencidas. Temos dívidas com o instituto de previdência dos servidores municipais, com parcelamentos a vencer. Precisamos fazer uma adequação de tudo. Encontramos uma frota que não é velha, porém, está muito desgastada. Deficiência de pneus e máquinas no cavalete, o que gera problemas para nós começarmos o mandato. O dinheiro que nós temos em caixa não dá nem para pensar em começar a pagar tudo isso. 
    
Quais são os valores?
Em relação às dívidas, elas são em torno de R$ 5 milhões. No caixa, temos cerca de R$ 600 mil. Esse débito não conta com o passivo trabalhista, como férias vencidas. Se formos levantar isso, será um valor muito considerável. Encontramos também precatórios até o final do ano para pagar. São várias dificuldades que serão sanadas. 

Estamos trabalhando na área de limpeza pública. Pegamos uma cidade com buracos e suja. Fizemos um tapa-buraco, mas emergencial, com uma massa asfáltica que pode ser trabalhada com água, sem problema com chuvas. Só que ela é muito cara e não dá para fazer na cidade toda. Estamos esperando o período de estiagem para fazer o tapa-buraco. Terminando a limpeza da cidade toda e o tapa-buraco, vamos pintar toda a cidade. Vamos fazer um embelezamento do município. Documentamos a forma como pegamos e estamos trabalhando nessa recuperação: reforma do ginásio de esportes, melhorias no nosso almoxarifado, onde colocamos um bebedouro de qualidade para os nossos funcionários. Eles tinham que buscar água em postos de combustível e em casas de construção. Estamos fazendo uma renovação com a nossa maneira de administrar. 

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