Prefeito de Birigui: E depois da desistência do aumento?

Foi sensata a decisão do prefeito de Birigui, Cristiano Salmeirão (PTB), de abrir mão do aumento de seu próprio salário. Na semana passada, ele havia pedido à Câmara a apresentação de projeto que previa reajuste de 4,99% em seus vencimentos. Pelo texto, o mesmo percentual, com base em índices de inflação acumulada, seria aplicado para elevar a remuneração do vice-prefeito Carlito Vendrame (PTN) e dos secretários municipais. 

No entanto, diante de forte reação contrária da população e dos servidores públicos, que pleiteiam um reajuste superior aos também 4,99% oferecidos a eles pela administração municipal, Salmeirão resolveu abortar a ideia. Isso não quer dizer que o atual chefe do Executivo ainda não tenha a convencer em relação a medidas para contenção de despesas. O prefeito do segundo maior município da região precisa deixar bem explicado à população o preenchimento de cargos comissionados em sua gestão. Por isso, se levasse adiante a ideia de aumentar seu próprio salário em tão pouco tempo à frente do Executivo, correria risco de ver sua popularidade despencar já nos primeiros meses de mandato. 

O petebista, que prometeu um grande enxugamento na máquina pública ao assumir o governo, já tem, em seu quadro funcional, pelo menos 209 cargos comissionados. A informação foi divulgada à imprensa na semana que passou pelo vereador oposicionista Benedito Dafé (PV), que obteve, do Executivo, resposta a um requerimento no qual questionava a quantidade de cargos de confiança existentes na Prefeitura de Birigui.

Portanto, mais uma vez, um paralelo se faz necessário diante de gastos tão elevados. Salmeirão afirma que a situação financeira do município é “complicadíssima”, mas mantém número elevado de cargos preenchidos por indicação política, assim como gestões passadas fizeram e ele as combatia enquanto vereador de oposição. Nos meses anteriores, ele havia dito ainda que a Prefeitura não tinha recursos para comprar novos uniformes escolares e que a previdência dos servidores municipais estava com um rombo de R$ 472 milhões.

Quando começou a governar, Salmeirão respondia aos críticos, dizendo que procurou fazer uma “união política” na cidade, ao agregar representantes de vários partidos em seu governo, mesmo aqueles que não lhe apoiaram na eleição. No entanto, o agrado a diferentes partidos, com cargos comissionados, não pode constituir um entrave a ações de austeridade, fundamentais para colocar a máquina pública em dia.

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