Além de chefe do Executivo, Pimentel era provedor da Santa Casa, o que, para o TCE-SP, não podia acontecer

Prefeito é multado em R$ 7,5 mil por repasse ilegal de recursos

Auditoria em hospital constatou diversas irregularidades

O TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) negou recurso do prefeito de Murutinga do Sul, Gilson Pimentel (PSDB), e manteve multa de R$ 7.521 a ele aplicada por repasses considerados irregulares à Irmandade da Santa Casa de Misericórdia do município, feitos em 2011, durante seu último mandato (2009-2012). A sanção equivale a 300 Ufesps (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo), cujo valor unitário, hoje, está em R$ 25,07. O tucano pode recorrer. 

Segundo a sentença do auditor Samy Wurman, do TCE, foram constatadas diversas irregularidades na prestação de contas do hospital. Entre elas, o fato de o prefeito ser seu o provedor, contrariando os princípios da transparência e da impessoalidade; parecer conclusivo aprovado por Pimentel sem a apresentação de peças contábeis e da aprovação de contas da diretoria; aumento do déficit de R$ 70.053,48 para R$ 363.097,02 de um ano para o outro; ausência de recolhimento de encargos sociais e capacidade de operação reduzida devido a uma reforma parada havia mais de 15 meses. 

DEFESA
Em sua defesa, Pimentel argumentou que ser provedor da Santa Casa não caracterizava pessoalidade nem ofenderia a transparência pública, pois o repasse foi autorizado por lei, além de não haver norma impedindo o prefeito de assumir o cargo. Sobre o déficit, alegou que vinha de outros anos, não podendo ser atribuído à sua ou outra gestão. 

A reportagem não conseguiu falar com Pimentel. As ligações feitas em seu celular não foram atendidas. A Folha também não o encontrou na Prefeitura. A reportagem deixou seus contatos com a secretária do prefeito, mas ele não retornou.