Militância de Tamiko na política é recente; ela atuou na área técnica da Educação

Prefeita de Andradina quer concluir projetos do 'gerente geral'

Prefeita fala sobre desafios de seu governo e da ajuda de Jamil

Tendo desempenhado um papel importante na eleição da prefeita de Andradina, Tamiko Inoue (PCdoB), ao transformar a sua popularidade em votos para a então candidata no ano passado, o ex-prefeito Jamil Ono (PT) ocupa o cargo de assessor especial de assuntos estratégicos. Segundo Tamiko, ele é uma espécie de “gerente geral” em seu governo. 

De acordo com a chefe do Executivo, Jamil acompanha as suas movimentações e de todas as secretarias. O petista também é o responsável por apresentar Tamiko, que foi sua secretária de Educação, a políticos em Brasília. Ela explica que sua militância na política é recente, tendo dedicado a maior parte da vida a área técnica na educação. 

Filiada ao PCdoB no início do ano passado, já fez parte do PT, durante o governo de Jamil. Ela é a única prefeita representante da legenda aliada histórica do Partido dos Trabalhadores na região de Araçatuba. 

Sobre sua vitória no último pleito, mesmo com o seu antigo partido desgastado no cenário político por conta de escândalos de corrupção, Tamiko disse que as pessoas em Andradina se preocupam mais com o histórico dos candidatos do que com as siglas.Confira, a seguir, trechos da entrevista que ela concedeu à Folha da Região:
    
Como é a participação de Jamil no seu governo?
Ele é como se fosse uma espécie de “gerente geral”. Acompanha toda a movimentação da prefeita, de todas as secretarias. Ele me ajuda na parte das relações externas, com os políticos e deputados. Na nossa primeira viagem a Brasília, foi junto e me apresentou aos deputados, com quem tinha boas relações. Ele me levou ao ministro Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações). Tem me ajudado muito nessa questão. Como eu não tinha quase militância política, eu não tinha contatos com políticos. Fui muito técnica, a vida toda. 
    
Por Jamil estar no seu governo, houve algumas críticas. Existiu alguma dúvida entre os servidores sobre quem era o “prefeito de fato”?
Talvez essa dúvida tenha aparecido no começo, nos primeiros dias da governança. Eu não tinha muita certeza de como poderia estar atuando. Ele me ajudava muito, inclusive coordenando algumas reuniões junto comigo. 
    
Mas os servidores sabem a quem se reportar?
Sim. Hoje está bem definido o papel, tanto para os servidores, como assessores. 
    
Como a senhora avalia sua vitória nas eleições do ano passado, já que o PT não conseguiu nenhuma Prefeitura e tem poucos vereadores, além de a senhora ser a única prefeita representante do PCdoB na região?
Eu vinculo muito a vitória da minha campanha ao trabalho que o ex-prefeito Jamil vem realizando na cidade. Acho que em cidades pequenas as pessoas não estão muito preocupadas com o partido, mas muito mais com a pessoa, seu trabalho, histórico de vida. E o Jamil, nesse tempo que ficou como prefeito, se envolveu em muitos projetos inéditos em Andradina. A credibilidade da população nele é muito grande. Se ele pudesse ser candidato mais uma vez, tenho certeza de que seria eleito. Eu entrei nesta continuidade do governo dele. A transferência dos votos foi muito grande. É claro que a gente se dedicou muito na secretaria e isso fez com que a população confiasse na minha pessoa, para me eleger como prefeita. Eu não era uma pessoa muito conhecida, a não ser nos meios da educação, das escolas, desde a época do Centro Paula Souza e Escola Técnica Agrícola, na qual fiquei 15 anos e fui fundadora. 
    
O que a senhora colocaria como desafio da sua gestão?
Concluir todos os projetos iniciados pelo ex-prefeito Jamil - dois no final do mandato dele. São obras importantes que nós precisamos para nossa cidade. 
    
Tem algum que a senhora destacaria?
Entre os que estão em fase de conclusão, tem a construção de uma UBS (Unidade Básica de Saúde). Dias atrás nós entregamos à comunidade uma creche pelo programa Proinfância, que surgiu junto com a construção de um novo bairro de Andradina, pelo Minha Casa Minha Vida, o Castanheiras. Temos uma quadra coberta na Vila Planalto praticamente para ser entregue. Nós temos a Central de Distribuição de Alimentos. Ontem (quinta-feira, dia 2), inclusive, estivemos fazendo uma vistoria final no prédio. Temos o IC (Instituto de Criminalística) e o IML (Instituto Médico Legal), que são obras do governo do Estado, mas que o município está fazendo a gestão dessa construção. Também já está sendo finalizada. Agora, temos a construção de um parque aquático, um centro de eventos, a construção do parque empresarial 1 e estamos iniciando o parque empresarial 2. E também o novo distrito industrial de Andradina. 
    
Na questão de desenvolvimento econômico, Andradina perdeu a liderança nas exportações para Clementina. Como seu governo pretende atrair novas empresas para que a cidade não fique tão dependente do agronegócio?
Por meio da JBS, Andradina se destacou nas exportações, na parte de carnes. Esse parque empresarial, agora, para nós está sendo muito importante. A gente precisa terminar a infraestrutura, pavimentação e a estação elevatória de esgoto, porque já temos três empresas em funcionamento e uma quarta que já estamos concluindo. O que nós temos que fazer é incentivar a vinda de empresas para este parque empresarial. Existe o Prodesan (Programa de Desenvolvimento Sustentável de Andradina), que oferece incentivos para as novas empresas. Ele tem algumas reduções de impostos e facilidades na área de investimentos para as empresas que vierem. Uma empresa da cidade, por exemplo, que puder dobrar o número de funcionários, teria incentivos fiscais nesta parte. A própria venda dos lotes foi feita de forma que os empresários pudessem comprar. Na venda, o município não está auferindo lucros. Algumas diferenças que o município conseguiu é para fazer os investimentos de infraestrutura. 
    
A partir de seu governo, Andradina vai se beneficiar dos recursos da usina Três Irmãos. De que maneira vocês pretendem utilizar estes recursos? 
Aumenta um pouco mais o nosso orçamento e a gente precisa melhorar principalmente o atendimento na área de saúde. É o que a população mais pede, além da geração de emprego e renda. Vamos ter que trabalhar muito nestes dois pontos. 
    
Assim como outros municípios, Andradina passa por dificuldades financeiras?
Acho que uma das grandes conquistas do governo do Jamil foi equilibrar as finanças. Hoje, nós temos algumas dívidas em relação a precatórios, que temos prazo até 2020 para terminar de pagar. Mas dívidas com fornecedores não temos. As contas estão em dia. A equipe de planejamento e finanças do Jamil fez um trabalho muito bom. A gente está conseguindo pagar os funcionários até de forma antecipada. 
    
A senhora pretende reduzir o número de secretarias? 
No momento, não estamos vendo necessidade (são 19), mas não sei como vai continuar esta situação do cenário econômico nacional. A gente percebe que os repasses estão caindo, tanto do governo estadual, quanto da União. Mas se for necessário fazer redução de secretaria, aglutinando uma com a outra, é uma coisa que a gente tem que já estar pensando. É uma estratégia que a maioria dos municípios já está implementando. No momento, estamos mantendo todas as secretarias até para que a população seja bem atendida com os profissionais de cada uma delas.

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