Por mais mulheres nas câmaras municipais de toda a região

Surpreende, de certa forma, a informação de que a região de Araçatuba foi a segunda a eleger o maior número de mulheres para as câmaras municipais no ano passado, considerando o perfil conservador da política nos 43 municípios. O levantamento foi feito pelo PMI (Projetos Mulheres Inspiradoras), liderado pela empresária Marlene Campos Machado, com base em dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Foram eleitas 49 vereadoras, o equivalente a 4,7% do total de 1.007 candidatas que disputaram o pleito de 2016.

A esse estudo pode ser somado ainda o fato de a última disputa eleitoral ter terminado com a vitória de dez prefeitas. Este é um dado que não está na pesquisa, uma vez que o balanço foi feito apenas no campo parlamentar.

No caso de Araçatuba, a maior cidade da região, em que pesem todos os retrocessos ainda existentes na forma de fazer política, pode-se dizer que a inclusão da mulher nessa seara está numa posição de vanguarda. Por três ocasiões, o município foi governado por mulheres: entre 1989 e 92 e de 1997 a 2000, nos dois mandatos da então prefeita Germínia Venturolli; e nos quatro meses finais de 2008, com Marilene Magri Marques, que assumiu o Executivo com a cassação do então prefeito Jorge Maluly Netto. Fora a presença no Executivo, a legislatura atual da Câmara de Araçatuba é a quinta consecutiva a contar com parlamentares do sexo feminino. Para a atual composição, foram eleitas as vereadoras Beatriz Soares Nogueira (Rede) e Tieza Marques de Oliveira (PSDB).

A tucana, por sua vez, licenciou-se do parlamento para assumir a Secretaria de Cultura no governo de seu correligionário, o prefeito Dilador Borges. Este, vale citar, tem a ex-vereadora Edna Flor (PPS) como vice. Em sua gestão, há ainda três secretárias, além de Tieza. Elas comandam a Educação, Saúde e Assistência Social. Ou seja, as mulheres ocupam funções estratégicas na atual administração. Justamente por representarem a renovação, espera-se que contribuam, cada vez mais, com a mudança no jeito de fazer política, primando, especialmente, pela humanização.

No caso das cidades menores, onde a presença delas tende a crescer, é desejável que a participação ocorra de forma independente, sem interferências de velhos caciques, algo que, lamentavelmente, ainda existe. Como exemplo, basta citar o caso de Nova Independência, onde a prefeita Thauana Duarte (PSDB), a mais jovem da região, com 27 anos, emprega membros da família Joanini, grupo que governou a cidade nos últimos anos, cercado de denúncias.

Portanto, o aumento de parlamentares mulheres deve ser bem visto, mas só poderá ser comemorado daqui a quatro anos, caso a população sinta as desejáveis mudanças.
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