Pizza com sabor de deboche

A gozação com quem é pobre e intolerância às críticas revelam o perfil de parte dos vereadores de Penápolis

Mal começou a atual legislatura, no início do ano, e a Câmara de Penápolis já abriu uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) que, por ironia, tinha como alvo o próprio presidente da Casa à época, o vereador Evandro Tervedo Novaes (DEM). O objetivo: investigar possíveis irregularidades em licitações para a compra de salgadinhos em festas e eventos promovidos pela Emurpe (Empresa Municipal de Urbanização de Penápolis) entre 2013 e 2016, período em que o parlamentar ocupou cargo de diretor administrativo e financeiro.

Chega o fim do ano e a comissão acaba de concluir seus trabalhos de forma, no mínimo, inusitada. Relatório final da CEI diz que “levando-se em consideração que a realização (dos eventos) deu-se em um bairro de pequeno poder aquisitivo, presume-se que o consumo individual deva ser maior”. Ou seja, se foi comprada quantidade excessiva de salgadinhos, é por que, em bairros carentes, a população come mais?

Além de não apontar qualquer explicação técnica para um questionamento que envolve dinheiro público, o texto ironiza parte da população que mais depende da classe política, os moradores de bairros periféricos.

Está clara, mais uma vez, a encenação de representantes de certas casas legislativas. Primeiro, abre-se uma investigação para um problema que está à tona e, tempos depois, quando as atenções da população estão direcionadas para outros temas, sepulta-se a apuração com explicação que beira a bizarrice.

Inconformados com a repercussão negativa do desfecho do caso, noticiado na semana passada pela coluna “Periscópio”, da Folha da Região, vereadores penapolenses partiram para o ataque contra a imprensa independente. Em rede social, numa clara indireta a um repórter deste jornal, um vereador o chamou de “babaca”.

Esses dois tipos de conduta — de um lado, a gozação com quem é pobre; do outro, a intolerância às críticas — revelam o perfil de parte dos representantes do Legislativo da terceira maior cidade da região: fanfarrões, autoritários e adeptos da ideia de que, estando em um cargo público, podem fazer o que bem entendem.

O caminho até a próxima eleição municipal é longo. Ainda restam três anos até lá, mas, desde já, é importante que os moradores da periferia marquem os vereadores que utilizam documento público para praticar a jocosidade e lhes dizerem “não” nas urnas.

Pelo menos, assim, aprenderão a ter respeito pela faixa mais necessitada da população, que, convém destacar, é a definidora de qualquer eleição no Brasil, seja em nível municipal, estadual e federal. 

LINK CURTO: http://folha.fr/1.372378

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