Jorginho diz que na época vetou reajuste, mas os vereadores promulgaram lei e assim passou a receber valor maior

Para pagar condenação, Jorginho Maluly afirma que vai vender bens

Ex-prefeito foi condenado por aumento de vencimentos

"Nunca tive subsídios elevados. Eu tinha um dos menores salários da região. Inclusive, quando fui vereador, sempre segurei e não deixei aumentar. Trabalhei por merecer para ter meu salário. Tanto é que tive minha reeleição com mais de 80% dos votos. E se tivesse uma nova eleição por lá, ganharia novamente". Foi dessa forma que o ex-prefeito de Mirandópolis e ex-deputado federal Jorginho Maluly (sem partido) explicou matéria publicada pela Folha da Região na edição de sábado (11).

O texto mostrava que o ex-prefeito, juntamente com 15 vereadores e seu vice, foram condenados a devolver uma quantia em dinheiro por terem sido beneficiados por uma lei, que reajustava os próprios salários. A lei, no entanto, foi considerada ilegal 17 anos após ter sido sancionada.

“Vetei a lei. Era o que cabia a mim como prefeito. Fiz o que podia fazer. Vereadores derrubaram meu veto, então passou a ser lei. Não podia nem deixar de receber meu salário. Eu cheguei a cogitar isso na época e pedir para o contador, mas não pude”, defendeu-se Jorginho. “Vetei porque achava que o aumento não era proporcional ao que tinha sido dado para os funcionários. E o meu aumento ainda foi menor do que o dos vereadores. Eles derrubaram o meu veto e eu entrei de graça nessa barca”, completou.

DEVOLUÇÃO
Segundo o ex-prefeito, ele reconhece que foi condenado a devolver o dinheiro e pretende agir desta forma. “A condenação é apenas a anulação da lei e devolver a diferença de salário. Eu vou ter que devolver uma quantia elevada de dinheiro. Eu, inclusive, não tenho esse dinheiro. Vou precisar vender algum bem para pagar”, lamentou.

Sobre o caso, ocorrido em 2000, o ex-prefeito afirmou que não tinha o que fazer, ficando de mãos atadas diante da situação. “Não nasceu de mim (a lei), não dependia de mim e eu não tinha o que fazer a não ser ter vetado a lei. E eu vetei e os vereadores derrubaram meu veto por unanimidade. Agora pago por ter sido correto”, criticou.

“Nunca usei carro da Prefeitura, usava o meu. Minha mulher trabalhou oito anos sem receber. Mas nunca mais faço isso. Porque fiz tudo direitinho e agora pago o preço por ter sido honesto. Trabalhei oito anos sem férias”, finalizou o político.

O CASO
Os políticos de Mirandópolis foram condenados a 11 anos após terem sido derrotados em primeira instância. A ação foi pedida pelo Ministério Público da cidade. Agora, a Promotoria aguarda ofício da Prefeitura indicando o valor correspondente para calcular o quanto cada um terá que devolver, já que receberam salários maiores com base na lei aprovada em 2000, considerada ilegal pelo processo. A Promotoria, aliás, entrou com processo de cumprimento de sentença (para que ela seja, de fato, cumprida) em 29 de setembro.

A certidão de trânsito em julgado (quando não há mais possibilidade de recursos) foi publicada em junho, após o ministro Roberto Barroso, do STF (Superior Tribunal Federal), negar o último recurso interposto pelos políticos. Desta forma, eles não terão mais como fugir da obrigação de ter que restituir os cofres públicos. 

Foram condenados, além de Jorginho, Carlos Roberto Ferreira, Edivan Ulisses Junqueira, Eurides Malim, Eviton Luís Guiato, Ginez Fernandes da Silva, Joaquim Ortega Chiquito, Luiz Carlos Bosso, Marcos Antônio Iarossi, Maria José Martins Zanon, Nivaldo Aparecido Ribeiro, Paulo Evaristo da Fonte, Riyuiti Ijichi, Ronaldo José Gonzalez, Osvaldo Teixeira Mendes Filho, Wilson Rosa de Lima, que eram vereadores, e João Natal Sailer, já falecido, que era vice do ex-prefeito.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.373382

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