Os salgadinhos de Birigui e a assistência social

O sentimento foi de repulsa por grande parte da população

Via de regra, para quase todas as aquisições do poder público, é necessária a realização de um processo licitatório. A Prefeitura de Birigui abriu, então, licitação para a compra de salgadinhos que, segundo informou, servirão para abastecer eventos realizados em programas sociais. Até aí, tudo bem. Chamou atenção, no entanto, o valor: R$ 692.698, 84. 

A julgar pelas manifestações expressas por leitores deste jornal, em seu portal ou nas redes sociais, o sentimento foi de repulsa por grande parte da população. Após silenciar quando questionada pela primeira vez por este matutino, com dois dias de antecedência da publicação da primeira matéria, a gestão de Cristiano Salmeirão (PTB) encaminhou, nesta semana, nota à Folha da Região em que argumenta que a crise econômica vivida pelo Brasil elevou a demanda dos programas assistenciais. Diz a nota oficial, ao justificar a compra de salgadinhos por mais de meio milhão de reais: “A assistência social deve garantir um padrão de segurança para seus usuários, sendo estes: o convívio, a autonomia, a acolhida. Tais seguranças são imprescindíveis à melhoria da qualidade de vida de grupos que não tiveram acesso às políticas públicas ou cujo acesso foi insuficiente”.

Ocorre que o momento ruim da economia, responsável por levar parte significativa da população a encontrar dificuldades para arranjar emprego, eleva as demandas, do poder público, Principalmente as relacionadas à saúde e educação. A administração municipal pode comprar doces e salgados para suas festas em quantidades que achar convenientes. Não pode, no entanto, deixar faltar remédios nos postos e vagas nas escolas e de encontrar solução para outras situações prioritárias, muitas delas na própria área de assistência. No começo deste ano, por exemplo, Salmeirão dizia que uniformes escolares não seriam adquiridos justamente por causa da crise.

É um bom sinal que a atual gestão adote, em seu discurso, a ideia de que deve dar acolhimento digno e melhorar a qualidade de vida dos mais necessitados. Birigui não pode, porém, perder de vista o foco na austeridade com o dinheiro público. Ao longo dos últimos anos, vários foram os efeitos da recessão na segunda maior cidade da região. Tanto é que o antecessor de Salmeirão, Pedro Bernabé (PSDB), adotou vários pacotes de contenção de despesas em seu mandato.

Fica, portanto, a expectativa para que o governo atual procure estabelecer esse equilíbrio entre os seus objetivos e o controle do gasto público. Caso contrário, críticas e cobranças virão.

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