Os candidatos e a vaidade

Apesar dos resultados pífios nas eleições anteriores, classe política continua desunida

A menos de um ano da eleição de 2018, mais uma vez, vários nomes de pré-candidatos a deputado já despontam no cenário político de Araçatuba e região. Percebe-se que, apesar dos resultados pífios obtidos nas disputas dos últimos anos, a classe política mantém uma característica fadada ao insucesso: a desunião de seus grupos e lideranças.

Pertencentes a um dos menores colégios eleitorais do Estado e sem influência além dos limites da região, a maioria dos pretensos candidatos já entra em desvantagem, permanecendo, assim, como cabos eleitorais de caciques de seus partidos que pleiteiam vagas no Senado ou querem chegar ao governo estadual ou à Presidência da República. 

Outra adversidade está nos forasteiros: aqueles postulantes que vêm de outros colégios eleitorais pedir votos e, após eleitos, pouco ou nada fazem pela região. Para os prováveis concorrentes de Araçatuba, uma questão é certa: só a votação obtida em suas bases eleitorais, no casos, os municípios da região, é insuficiente. 

Em 2014, o então candidato a deputado estadual Dilador Borges (PSDB), hoje prefeito de Araçatuba, recebeu 71.027 votos. Mesmo assim, ficou na suplência. Novamente, o único eleito foi o deputado estadual Roque Barbiere (PTB), que teve a preferência de 72.512 eleitores. Deputado federal, como já ocorre desde 2002, ninguém da região foi eleito.

Está claro que, apesar das mudanças ocorridas nos últimos anos a fim de moralizar as disputas eleitorais, como a lei da Ficha Limpa e a proibição da doação de recursos de empresas para as campanhas, o poder político e econômico ainda faz diferença. 
Por isso, a união da classe política em torno de um nome forte, com condições de representar e defender os interesses da região em Brasília ou em São Paulo, é fundamental. 

A situação seria mais complicada se tivesse sido aprovado o famigerado “distritão”, regra pela qual somente os mais votados seriam eleitos. Hoje, e, ao que tudo indica, assim continuará em 2018, prevalece a questão do coeficiente eleitoral. 

Sendo assim, a novidade está na migração dos políticos locais de partidos grandes para nanicos, na esperança de êxito nas urnas. Jamil Ono, ex-prefeito de Andradina, trocou o PT pelo PEN; Cido Saraiva, vereador mais votado da história de Araçatuba, hoje no PMDB, é sondado pelo PSL. Estes são alguns exemplos. Outros ainda podem surgir.

Portanto, se não houver o entendimento de que os interesses pessoais devem ser deixados de lado, mais uma vez, quem perderá será a região de Araçatuba, há tempos carente de representatividade.

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