O vice e a instabilidade

Terceirização da saúde tem sido alvo de apuração da Justiça

Sempre que um prefeito se afasta ou é afastado do cargo, logo, a primeira sensação é de crise política. Isso, por mais que haja o vice-prefeito, cujo objetivo maior é justamente substituir o titular do posto. O número dois na hierarquia de uma administração municipal, no entanto, pode dirimir esse “pré-conceito”, imprimindo uma marca, tomando medidas que até o façam cair nas graças da população. 

Assim ocorreu, por exemplo, em Araçatuba, quando o então vice-prefeito Carlos Hernandes (PMDB) assumiu a Prefeitura em 2016, ficando no cargo por 83 dias, período em que o chefe do Executivo à época, Cido Sério (PT), foi afastado do cargo pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) em processo criminal. Hernandes havia evitado o fechamento do Hospital da Mulher, decisão esta que contrariou, por completo, o que o seu companheiro petista havia determinado.

Só que, em Mirandópolis, a figura do vice já está criando uma sensação de instabilidade política. No comando da sexta maior prefeitura da região de forma interina desde outubro do ano passado, José Antônio Rodrigues (SD), atual vice-prefeito, acaba de virar réu em ação por improbidade administrativa na qual é acusado de irregularidades na contratação de empresa para prestação de serviços de saúde.

O problema ocorreu em 2007, quando exercia seu segundo mandato como prefeito de Mirandópolis — a atual prefeita, Regina Mustafa (PV), está afastada por problemas de saúde. A prática questionada pelo Ministério Público ocorrida em Mirandópolis tem sido motivo de denúncias contra gestores públicos em diversas cidades da região também. É nada mais do que a terceirização de serviços de saúde, alvo de ação na Justiça, por exemplo, em Araçatuba.

Há outro agravante no caso de Mirandópolis. A chapa que resultou na vitória de Regina e José Antônio, na eleição de 2016, está ameaçada de cassação na Justiça Eleitoral. A dupla teve uma recente derrota no TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo). Os fatos mostram, portanto, que a população mirandopolense tem motivos de sobra para estar em dúvidas quanto ao futuro político da cidade onde vive. A decisão sobre esse impasse está com o Judiciário.

Situações como essas permitem duas reflexões. Para os políticos, as alianças formadas para disputas eleitorais, que devem ser feitas não apenas com pensamento nas urnas, mas nos quatro anos seguintes. Para a população, evidentemente, está na escolha de seus representantes. Sempre é bom ficar atento à ficha de cada candidato para depois não ter problemas.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.387645

Curta nossa fanpage e receba notícias pelo Facebook