Nalberto Vedovotto é coach, jornalista e escritor em Birigui

Nalberto Vedovotto: O cidadão 'esperança'

No início da década de 1940, um garotinho de apenas 4 anos de idade empolgava-se pelo fascínio das águas e dava suas primeiras braçadas nas piscinas do Birigui Tênis Clube, nosso inesquecível BTC. Seus coleguinhas e, principalmente, os irmãos, que também o acompanhavam quase que diariamente até o clube, jamais sonhavam que ali estivesse nascendo um apaixonado pela natação, um líder que mudaria a história de sua cidade no início do século 21.

O tempo foi passando e as tradições da cidade passaram por mudanças abruptas, em função de seu crescimento populacional e importância do polo calçadista, a atrair cada vez mais moradores dos municípios vizinhos. O BTC, sem recursos financeiros próprios, estava a se deteriorar cada vez mais, sem poder acompanhar o progresso da cidade e agregar novas opções de lazer a seus associados. No fim dos anos 1990, reaparece aquele garotinho, agora com seus mais de 60 anos, que recebe carta branca da diretoria do BTC para dar destino nobre à significância do clube. 

Com sua visão futurística e amor irrestrito pela cidade natal, valendo-se das amizades que solidificou ao longo de sua trajetória, desembarcou em São Paulo, foi à sede da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio) e propôs uma parceria ao amigo Abram Szajman, para que este dotasse Birigui de uma unidade do Sesc.

Foram necessárias muitas tratativas, bloquear interferências externas que queriam levar a unidade para outras localidades. Mas o biriguiense mostrou que tem "sangue nos olhos" e, pouco a pouco, foi oferecendo soluções para cada obstáculo que surgia no processo, cedendo até propriedade particular para que o posto avançado pudesse continuar funcionando durante a obra. 

Após quase 20 anos de luta, hoje quem passa pela rua Manoel Domingos Ventura, número 121, terá acesso a um centro sócio-cultural e desportivo com área construída de 7,5 mil metros quadrados, com inúmeros benefícios disponibilizados aos comerciários, entre os quais teatro (217 lugares), quadro poliesportiva, parque aquático, campo de futebol soçaite, biblioteca, clínica odontológica, ginástica multifuncional, espaço de tecnologia e arte etc.

Talvez nem os mais de 150 profissionais que fazem parte da equipe do Sesc (entre diretos e terceirizados), jovens, adultos e idosos imaginem quem foi o sonhador de tudo isso e o fez unicamente para deixar seu legado, sem querer nada em troca. Feliz da coletividade que tem em seu seio cidadãos comprometidos com a melhoria da qualidade de vida da população, independentemente de utilizar-se de cargo político partidário.

Dentre esses destaco "aquele garotinho de 4 anos": Dario Miguel Pedro, hoje no auge dos 81 anos, que deve sentir-se com o dever cumprido. É dessa forma que os homens de caráter, íntegros e solidários ajudam na construção de um mundo melhor! Dario talvez nem mais tenha condições físicas de usufruir dos benefícios do clube que ajudou a gerar, mas seu nome fará parte da história de Birigui e seus descendentes poderão contar a história de sua incansável e vitoriosa luta por gerações e gerações. 

"Homens e mulheres são limitados não por seu lugar de nascimento, nem pela cor da sua pele, mas pelo tamanho de sua esperança" (John Johnson). E você, meu caro Dario Miguel Pedro, nos mostrou, mais uma vez, que o dito popular: "a esperança é a última que morre" é a marca dos grandes homens. Birigui lhe será eternamente grata!

LINK CURTO: http://folha.fr/1.381175

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