Nalberto Vedovotto é coach, jornalista e escritor em Birigui

Nalberto Vedovotto: Foi-se o ‘paizão’ da indústria

Hoje, ainda mais, precisei da inspiração divina para escrever o artigo da semana. É incomum abordar sobre um ser iluminado, daqueles que Deus ao dar o sopro da vida, deve ter pensado mais ou menos assim: — Filho querido, sua missão na terra tem um significado tão especial, mas tão especial, que ao deixá-la, todos irão perceber.

No século passado — década de 1970, Birigui teve o privilégio de acolhê-lo. E foi num momento impar à história da cidade, com a consolidação das duas maiores indústrias de calçados, e a proliferação desordenada de micros e pequenas empresas, oriundas justamente das conhecidas como ícones na época: Popi e Kiuty.

Nós, os donos de fábricas éramos denominados de os “pés vermelhos”, ou seja, iniciávamos o negócio somente com a “cara e a coragem”, sem quaisquer conhecimentos de gestão administrativa.

Dinheiro, então, a grande maioria não tinha. Ex-chefes de seções daquelas duas indústrias, ou simplesmente operários levavam na mente e no coração a vontade de empreender.

Felizmente, tal qual a luz que indicava aos três reis magos onde estava a manjedoura do menino Jesus, uma chama de esperança começou a luzir nas esquina da avenida Governador Pedro de Toledo e a rua Osvaldo Cruz — e tinha um nome: Ginez Cassere.

Ciente de sua importância ao desenvolvimento do município, iniciou sua história de ajuda real a todos aqueles noviços fabricantes, que se dirigiam à agência do Banco do Brasil, em busca de recursos financeiros, ou simplesmente uma palavra de apoio. Ginez jamais deixou um empresário sem resposta e, o mais importante, garantia a eles a base fundamental para que o negócio atingisse o seu estágio de amadurecimento.

Se há um ditado que precisa ser escrito por todos que tiveram a sorte de cruzar com aquele gerente de voz serena, educação sofisticada e palavra amiga, é: “Indústria calçadista antes e depois de Ginez Cassere”.

Num período de sua vida, a instituição precisou de seus préstimos em outras localidades e Birigui privou-se do amparo do “paizão”, e algumas unidades sucumbiram literalmente, pois deixaram de contar com o respaldo financeiro que sempre foi propiciado por Ginez Cassere, que confiava em cada empresário, como se fosse um filho seu.

Infelizmente, no dia 10 passado o coração desse grande homem parou, para tristeza não só de sua esposa Adília, com quem conviveu por mais de 60 anos, como também dos seis filhos, quinze netos e vinte e um bisnetos.

“Nunca o vi com a voz alterada. Quando tentava discutir com ele, dizia que eu ficava ainda mais linda, ressaltava o azul dos meus olhos! Ele mandava flores em todos os meus aniversários e na data do nosso casamento. Quando um filho, neto ou bisneto fazia aniversário, ele era o primeiro a ligar cumprimentando-o, logo às 6 horas da manhã”, disse dona Adilia.

Uma pessoa de muita fé (rezava o terço quase todas as noites com uma de suas noras), e dedicava parte da sua existência ao trabalho de benemerência. Uma de suas missões foi cuidar da Santa Casa, como provedor, num de seus mais delicados momentos.

O espaço que o jornal me concede para escrever meus artigos tem de ser respeitado – e hoje não consegui traduzir tudo acerca do que representou esse ser na vida de Birigui, mas finalizo com uma frase de carinho a cada um de seus familiares: “A delicadeza do amanhecer é Deus dizendo aos nossos ouvidos: Recomeça” (autor desconhecido).

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