Nalberto Vedovotto é coach, jornalista e escritor em Birigui

Nalberto Vedovotto: Birigui amanheceu mais pobre

A galeria dos grandes homens, de líderes comunitários e de empreendedores de sucesso, ficou desfalcada com a morte, dia 8 de janeiro, de João Carlos Ferreira. 
 
Quando eu tinha 15 anos, pelos idos de 1966, comecei a acompanhar a carreira do João Bilac, que ao lado do seu irmão Edilberto, adquiriu no mês de março daquele ano pequena cartonagem que funcionava numa antiga “picadeira de cana”, na rua Bento da Cruz, de frente à ícone das indústrias de calçados, a Popi. Um tempo depois, a Popi abriu espaço para que a fábrica de caixas funcionasse em suas instalações.
 
Desde esses tempos, como observador da vida biriguiense, prestava muita atenção aos passos deste grande visionário, que em momento algum se furtava em participar das principais iniciativas em prol de uma Birigui cada vez mais desenvolvida.
 
Sua trajetória como empresário, sempre ao lado do irmão Edilberto, foi ascendente. A Jofer atingiu um grau tal de evolução, e chegou a ficar entre as cinco maiores cartonagens do país. No auge chegou a empregar mais de 600 pessoas diretamente: “Na Jofer construí minha personalidade, aprimorei meu caráter, e conquistei tudo o que um homem necessita materialmente para ter uma vida de qualidade”, foi o que disse espontaneamente um dos ex-empregados, numa roda de amigos enquanto se velava o corpo de João Bilac.
 
Homem de coração bondoso — fazia caridade naturalmente. Num período de sua vida, atendeu ao apelo da juíza de direito Jacira Jacinto da Silva, e foi um dos maiores colaboradores da Apac (Associação de Proteção e Assistência Carcerária), cuja iniciativa se destacou como um dos cinco melhores projetos sociais escolhidos pelas Fundações Getúlio Vargas e Ford.
 
Jamais disse não a pedidos que envolvessem ajuda a pessoas com necessidades financeiras, e colocava seu parque gráfico à disposição de autores locais, publicando livros sem nem cobrar o custo do papel.
 
E sua ação social, estendeu-se igualmente a outras denominações, entre as quais posso destacar: Casa do Caminho Ave Cristo e Recanto do Vovô. Como diretor regional do Ciesp/Araçatuba, sempre “puxou a sardinha” para o lado de Birigui, e foi peça fundamental na construção da escola modelo do Senai, e teve participação decisiva na construção do Teatro Popular do Sesi, pois acompanhei sua luta, ao lado de seus inseparáveis amigos empresários: Sarkis Nakad, Hamilton Vejalão Ferraz e Frederico Vargas, importunando os presidentes da Fiesp, desde Mário Amato, para que nossa cidade pudesse contar com essa opção de lazer e cultura.
 
A cidade despediu-se do homem João Carlos Ferreira, que deixou às gerações futuras um exemplo de conquistas que melhorarão a vida de pessoas que sequer conheceu.
As instituições a que tanto serviu negaram o espaço onde pudesse receber a última homenagem, mas em nosso coração sempre haverá um cantinho onde permanecerá inesquecível.
 
LINK CURTO: http://folha.fr/1.384205

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