Governante é empresário, mas também já foi vereador

Manter hospital virou um desafio para jovem prefeito

Vitor Botini diz que está colocando a “casa em ordem”

O fechamento do Hospital Beneficente Padre Bernardo Braakhuis, em janeiro deste ano, foi um dos principais problemas enfrentados pelo prefeito de Bilac, Vitor Botini (PSDB), já nos seus primeiros seis meses de governo. O problema ocorreu por causa de atraso nos salários dos funcionários.

Porém, Botini informou que todos os profissionais que trabalham na unidade já estão recebendo em dia e o hospital, que atende a outros três municípios, voltou a funcionar. Com 36 anos de idade, Botini diz que, além de um acordo com as cidades cujos pacientes são atendidos no local, houve cortes em despesas para economizar e conseguir a reabertura do hospital. “Foi uma grande vitória para a população”, afirmou o tucano. 

De acordo com ele, a economia também está servindo para abater uma dívida que chegou aos 25% do orçamento do município, quando ele assumiu o Executivo local. Mesmo com as dificuldades, conforme o chefe do Executivo, os pagamentos de servidores municipais e fornecedores estão sendo feitos em dia.  Da safra de empresários que entram para a política para fazer gestão, Botini foi vereador antes de ser prefeito e seu avô, Pedro Alvo Botini, foi um dos administradores do município, entre 1977 e 1983.

Confira trechos da entrevista que ele concedeu à Folha da Região

Como o senhor avalia seus primeiros seis meses de governo?
Pegamos a Prefeitura com muita dificuldade, principalmente, na área da saúde. O hospital (Padre Bernardo Braakhuis) fechou por dez ou doze dias de janeiro, no nosso mandato. A situação foi muito difícil. Arrastou-se durante dois meses, mas conseguimos acertar a situação, que vinha da administração passada, que ficou 18 meses sem fazer o repasse para o hospital. Agora, acertamos com Gabriel Monteiro, Santópolis do Aguapeí e Piacatu. A reabertura do hospital foi uma grande vitória para a população de Bilac. Funcionários que estavam sem salário, hoje, estão recebendo em dia. O hospital está trabalhando e atendendo a população. Também herdamos uma dívida que corresponde a 25% do orçamento. Está sendo muito difícil, mas estamos conseguindo acertar várias situações. Tivemos uma economia de mais de R$ 1,8 milhão nesses primeiros seis meses em comparação com o ano passado. Avalio que neste primeiro momento, com todas dificuldades, estamos superando. Essa economia, talvez, não apareça para a população, mas estamos pagando salários atrasados e fornecedores também. Só em medicamentos que a gente comprou, ficava em torno de R$ 800 mil em atraso. São algumas dificuldades que passamos, mas já estamos suprindo. Estamos colocando a casa em ordem. 

O senhor teve que fazer cortes para gerar economia?
Vários. Com a subvenção que estamos passando para o hospital, precisamos diminuir em combustíveis e em infraestrutura. Temos a visão do que precisa ser feito, mas precisamos reduzir os gastos para suprir a população, principalmente, na área da saúde. Entraram no hospital R$ 58 mil para cobrir os 18 meses sem pagamento dos funcionários, provenientes dessas diminuições em vários setores. Estamos com menos funcionários. Quinze cargos a menos do que a administração passada. É assim que estamos conseguindo administrar. 

E a situação econômica hoje como está?
Não está ótima, mas já está boa. Estamos honrando todas as nossas compras. Funcionários estão recebendo em dia, todo último dia útil do mês. O pessoal, na gestão anterior, não sabia quando ia receber. No meu mandato, parcelei os pagamentos atrasados de dezembro, mas, desde janeiro, estou honrando meus compromissos com funcionários. Estou pagando dívidas anteriores ao meu mandato, que ficam em torno de R$ 50 mil por mês. 

Qual seu maior desafio?
Com a situação que estamos passando no País, meu desafio é manter o que eu tenho no município. Estamos conseguindo. Estou mantendo a educação boa, realizando merenda e dando todo apoio. Na saúde, oferecemos transporte. A meta, neste ano, é essa: manter o que a gente tem, fazendo as coisas certas. Estamos correndo atrás também da geração de empregos. Está difícil. Bilac era uma cidade com boa geração de empregos. Hoje, com a situação que a economia está passando, perdemos alguns empregos, pois as empresas diminuíram bastante. Estamos dando total apoio para elas estarem reativando. Tudo o que precisarem da Prefeitura, e que estiver ao alcance da gente, vamos fazer. 

Existe alguma área que o senhor pretende priorizar?
São as áreas de educação e saúde, onde estamos trabalhando firme. São as mais importantes para o município: uma educação boa para os nossos munícipes, que são o futuro da nossa cidade, e a saúde, que sabemos que é precária no Brasil, mas em Bilac está recebendo prioridade total. 

Como está sendo seu relacionamento com a Câmara?
A Câmara está dando total apoio. Temos a maioria, com seis vereadores. Trabalhamos juntos e com transparência. Todas as semanas, temos reuniões. Não estamos mandando nada goela abaixo. Chamamos para conversar. Estamos administrando juntos. 

O senhor citou que deseja gerar empregos no município. Tem plano para trazer empresas para a cidade?
Estamos correndo atrás para trazer novas empresas para o nosso distrito industrial. Hoje, está complicado por causa da situação que o País está passando. Estamos tendo um pouco de dificuldades com galpões. Todos estão ocupados. Alguns que poderiam estar empregando mais pessoas estão com menos funcionários, mas a gente entende, por causa da situação atual.

Como o senhor pretende tratar a questão da ética no seu governo?
Fazendo uma administração transparente. Acho que é fundamental, junto com a Câmara e a população. O jeito que estamos administrando é totalmente transparente. Os funcionários do Paço estão vendo a forma diferente que estamos administrando. Costumo dizer que não sou político. Estou aqui para fazer gestão e não política. No momento pelo qual o País passa, estamos precisando de gestores. Não cortamos nem na carne. Foi no osso.

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