Mais uma vez, a morte de bebês

Em Araçatuba, Justiça local disse que não poderia intervir no Hospital da Mulher

Sete anos após um dos maiores escândalos de saúde pública na região — a morte de 16 bebês ainda dentro do útero materno, no Hospital da Mulher, em Araçatuba — mais uma polêmica envolvendo crianças recém-nascidas volta a preocupar as autoridades. Desta vez, em Castilho.

Matéria publicada pela Folha da Região mostra que, naquele município, uma sindicância aberta pela Prefeitura vai apurar uma sucessão de mortes de bebês ocorrida em pouco mais de um ano. A determinação partiu da secretária municipal de Saúde, Janini Nascimento. Desde 2016, morreram nove crianças no Hospital e Maternidade José Fortuna, sendo a última delas, de apenas sete meses, com suspeita de pneumonia. O objetivo é investigar se os óbitos se deram em decorrência do atendimento prestado na unidade de saúde.

Quando houve o episódio em Araçatuba, que ganhou repercussão nacional, sindicância da administração municipal não apontou responsáveis. O Ministério Público, por sua vez, ofereceu denúncia à Justiça em que apontou 16 irregularidades no Hospital da Mulher, a maioria relacionadas a problemas estruturais. A Justiça local, no entanto, rejeitou a ação, sob o entendimento de que não deve interferir em medidas que cabem, exclusivamente, ao poder público.

A apuração em Castilho ainda está em fase incipiente. De qualquer forma, a prefeita daquela cidade, Fátima Nascimento (DEM), fez uma ponderação importante. Disse ter percebido que há muitas mulheres que não comparecem ao hospital durante a gestação. “São mães negligentes”, afirmou ela.

Apesar de ter partido de uma gestora pública, a manifestação suscita a necessidade de se colocar em prática uma responsabilidade na qual o poder público não pode falhar: as condições de acompanhamento e a medicina preventiva. Não faltam exemplos que comprovam o quanto esta estrutura é deficitária na rede pública de saúde. Ou seja, um trabalho de orientação mais eficiente ajudaria e muito a combater essa situação.

Dados mais recentes da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), referentes a 2016, mostram que, em quatro anos, a Taxa de Mortalidade Infantil na região de Araçatuba cresceu 30%. Em 2012, estava em 9,7 mortes de crianças de até um ano para cada mil nascidos vivos. No ano passado, esse índice estava em 12,6.

A sequência de mortes ocorrida em Castilho ainda será apurada, mas não há dúvidas de que melhoras nos serviços, em especial no atendimento às gestantes, contribuiriam significativamente para a reversão desse quadro, o que é desejado por todos.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.371726

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