Prefeito afirmou que pretende 'contaminar' os servidores com motivação e valorização

Médico, Roni quer um município humanizado

Reformas de escolas e unidades de saúde estão entre as metas

Eleito em outubro do ano passado para comandar a Prefeitura de Valparaíso (a 44 km de Araçatuba), o médico Roni Ferrareze (PV) quer um município mais humanizado, e classifica isso como o maior desafio de sua gestão. “Estamos carentes disso. O mais triste é você ver as pessoas se confrontando entre elas às custas de interesses pessoais”, disse.

Para isso, ele pretende “contaminar” os servidores com motivação e valorização, humanizando os atendimentos. Formado em medicina pela Fundação Oswaldo Vianna, com pós-graduação em dermatologia e medicina do trabalho, o chefe do Executivo destacou que tem pautada sua administração na transparência e que, dentre as melhorias a serem feitas na cidade, estão a geração de empregos e a reforma de unidades básicas de saúde e algumas escolas.
Roni comentou sobre as acusações que sofreu durante a campanha eleitoral, de compra de votos, pela coligação da candidata derrotada Maria Angélica Pereira Benes (PSDB). Na época, ela queria a cassação do registro de candidatura e a inelegibilidade dele por oito anos. A Justiça Eleitoral julgou improcedente. 

Confira trechos da entrevista que ele concedeu à Folha:
    
Qual o balanço que o senhor faz nesses quatro meses de governo? Já deu para definir quais as prioridades?
Estar à frente de uma administração, como gestor público, é difícil. Encontramos grandes dificuldades no início por, segundo algumas pessoas, sermos “oposição”. Mas respeito a democracia e não vejo nada disso. Nesses quatro meses, a dificuldade que tivemos foi de trazer uma política de modernidade, renovação e que tenha respeito e humanismo, o que tem faltado no cenário. Desde o início, a meta da nossa gestão é a saúde e a geração de emprego. Além disso, temos grandes problemas de estruturas físicas, como nas unidades de saúde e escolas, que precisam de reformas.
    
Em dezembro do ano passado, o Ministério Público Federal divulgou o Ranking da Transparência, no qual Valparaíso era ‘lanterna’. Quais medidas o seu governo tomará para melhorar a pontuação?
Nós queremos ser transparentes e já estamos fazendo algumas mudanças, como a atualização no portal da Prefeitura. Procurei ainda a Promotoria e o Tribunal de Contas para que nos oriente a agir corretamente, pois essa parceria é muito importante para que o município mostre essa transparência, que todos precisam.
    
Com relação às acusações que o senhor sofreu durante a campanha eleitoral, de compra de votos. A Justiça o inocentou. Passado esse período de desgaste, o que tem a dizer a respeito?
Nós vivemos em um País e todo mundo tem direito de buscar o que lhe pertence. Respeito a posição dos meus adversários e é um direito que eles achavam que tinham na época, tendo a Justiça se pronunciado a respeito do que eles questionavam. Não faço objeção do que eles fizeram.
    
Politicamente, antes de o senhor se eleger, havia um grupo forte, ligado ao PSDB, que governou a cidade por pelo menos quatro mandatos. O senhor, representando outro grupo, de que forma pretende mudar a forma de se administrar a cidade?
Não existe uma receita para a solução dos problemas no País. Temos de ter seriedade e transparência em tudo o que fizermos. A forma de mudar uma gestão é pacificar os grupos políticos e fazê-los entender que a disputa acaba quando se termina a campanha e as eleições. Essa é uma visão que todos os municípios deveriam ter para melhorar o desenvolvimento e que estamos usando.
    
O senhor, a exemplo do seu antecessor, Marcos Higuschi, exerceu mandato de vereador. De que forma isso será importante para conseguir executar o seu plano de governo?
Foi meu primeiro mandato na esfera política e isso me ajudou a conhecer e lamentar que uma conversa dita com transparência com uma pessoa seja levada a sério no outro dia. Isso é muito ruim e é essa política que evitaremos. Posso dizer que foi uma experiência saudável quando fui vereador, para que eu possa ter menos decepção se fosse meu primeiro mandato na parte política. Sempre que tomo alguma decisão, eu procuro antes conversar com os vereadores.
    
Valparaíso foi destaque, nos últimos anos, por seus elevados índices na educação. Diante desse contexto, quais os seus principais projetos para o ensino?
A grande saída de qualquer município é a educação. Neste caso, estamos mantendo a forma de ensino e aprimorando alguns métodos. Vamos tentar implantar as lousas digitais, acrescentar uma grade de idiomas e incentivar os alunos com projetos do Sebrae sobre microemprendedorismo.
    
Como fortalecer a geração de empregos, sem que a cidade dependa exclusivamente da agroindústria canavieira?
Quando assumimos a Prefeitura, fomos mantendo contatos com o objetivo de fortalecer o comércio local, para que as pessoas não precisem sair da cidade para adquirir algum produto. Conseguindo melhorar a economia local, eu aumento a geração de empregos. Além disso, já temos algumas empresas interessadas em instalar suas unidades na cidade.
    
Qual o principal desafio que o senhor considera para o seu governo?
A maior dificuldade é transformar a cidade em mais humana. É triste observar que a comunidade, ao chegar em determinado setor, seja público ou privado, sinta medo e receio de fazer alguma pergunta e da resposta que possa receber. Diante disso, a população pode esperar trabalho, empenho, transparência e lealdade para melhorarmos a qualidade de vida e transformar Valparaíso em mais humana.

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