Márcio Bracioli é repórter da Folha da Região

Márcio Bracioli: Para aquecer o coração

Acompanhei de perto ajuda para casal em Birigui

Como o leitor mais atento deve ter reparado, o sobrenome das pessoas que iniciaram a campanha de doações é igual ao meu. Pois bem. São minha irmã e mãe, por isso, posso dizer que acompanhei de perto cada movimento feito para tentar ajudar a família da Laura. Eu já a conhecia de vista, mas não tinha proximidade maior com ela, como tem minha irmã. 

Moramos próximos ao bairro dela. Ainda na sexta-feira, enquanto estava na rua com minha irmã, vi uma fumaceira densa pelos lados do bairro Jandaia, mas jamais imaginei que seria na casa de um conhecido. No dia seguinte, minha irmã comentou sobre o fato e falou que conhecia a moradora. Logo, sensibilizada por conhecer a história, sem pensar muito, fez postagem no Facebook pedindo ajuda. Minha mãe fez o mesmo. 

Em segundos, os celulares delas começaram a pular freneticamente de tantas mensagens enviadas. Foram milhares de ajudas. Tudo foi arrecadado em minha casa e em outra residência e, depois, levado para a residência do Higor, onde estão sendo guardadas. A Guarda Municipal também disponibilizou local para doações.

O volume foi tão grande, que lembro-me de chegar em minha casa e ter que deixar o meu carro dormir na rua, porque a garagem estava tomada de objetos doados. A mesa da copa apinhada de sacolas, o chão cheio de outros objetos. Enfim, foram dias felizes. 

Também decidi entrar na dança. Contatei amigos, que contataram amigos e essa rede de contatos acabou chegando em grupo e uma comitiva sertaneja formada por amigos, que se comprometeram a ir até a residência e fazer a remoção dos escombros. É tão fácil ajudar as pessoas! É como puxar um fio solto: o restante acaba sendo deslocado também. Com a ajuda de outras pessoas, doações começaram a chegar de forma torrencial. 

Durante a entrevista, realizada na tarde de quinta-feira, entre os escombros, dois cachorros e gatinhos, que permaneceram fieis guardando o local, Laura nos contou que uma loja de materiais de construção tinha doado janelas e portas, um vizinho tinha dado areia e blocos e sacos de cimento e cal estavam na minha casa, que chegaram por meio das doações, para serem levados. Um arquiteto fez o novo projeto da residência e eu tenho certeza que ela sairá.

Não me sai da cabeça algumas histórias conhecidas nesses dias. Uma menina de 13 anos, que falou com minha mãe, juntou com amigas do bairro Jandaia (o mesmo da residência atingida) e fizeram uma vaquinha para comprar e, depois, doar enxoval de cozinha para o casal. Outro foi um senhor, que trabalha recolhendo material reciclável nas ruas, que doou uma geladeira e duas cadeiras, dizendo que tinha pouco de bens materiais, mas gostaria de ajudar. Por fim, uma mulher entrou em contato dizendo que também perdeu tudo num incêndio e gostaria de ajudar, pois sabe o quão difícil é reconstruir a vida.

Isso foi feito por glória? Não! O maior pagamento é ver lágrimas de dor virarem de alegria.

VEJA AQUI REPORTAGENS SOBRE A SÉRIE
'APÓS O FOGO, A ESPERANÇA'
LINK CURTO: http://folha.fr/1.362855

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