Tucano está fazendo de tudo para não demitir

Laerte quer estudo para controlar gasto com folha de pagamento

Despesa com pessoal está próximo dos 54%

Falta pouco para que a folha de pagamento da Prefeitura de Nova Luzitânia ultrapasse o limite de 54% estabelecido pela LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). Por causa desse problema, o prefeito Laerte Rocha (PSDB) encomendou à sua equipe de governo para elaborar um plano para sair desta situação sem ter que demitir ninguém. 
 
Segundo o tucano, que iniciou neste ano seu terceiro mandato, o gasto com o funcionalismo está em 53,94% e ele deseja que esse patamar recue aos 51%, que é o limite prudencial. Mesmo não contratando ninguém, esse percentual tende a crescer, de acordo com Laerte, por conta de benefícios trabalhistas. 
 
“Precisamos criar alternativas com os funcionários, ouvindo todo mundo”, assinalou o tucano. Além disso, contou que a Prefeitura passa por dificuldades por falta de dinheiro em caixa. Conforme ele, não há dívidas, porém, a arrecadação é uma das menores da região e fica aquém do que o município necessita. 
 
Confira trechos da entrevista que Rocha concedeu à Folha da Região:
 
Como estão sendo os primeiros meses do seu terceiro mandato?
Está muito difícil. O dinheiro não dá. A arrecadação é menor do que o município necessita. A minha cidade é pequena, não tem nenhuma empresa que gera ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Deve ser o município que menos arrecada com ICMS na região. Eu tenho um levantamento feito em relação aos municípios mais próximos de Nova Luzitânia e percebi uma situação complicada. Se comparar com Brejo Alegre, Turiúba, ou qualquer outro município, minha arrecadação é menor do que todos eles. 
 
Quais são os seus planos para melhorar a arrecadação e trazer mais dinheiro para a Prefeitura?
Nós vamos fazer um trabalho em relação aos talonários dos produtores rurais para uma fiscalização daquilo que pode entrar, mas isso muito pouco vai influenciar nesses valores. O que eu espero é que melhore o País. Se as pessoas comprarem mais e melhorar o ICMS do Estado de São Paulo, por exemplo, o município melhora. Melhora também o FPM (Fundo de Participação dos Municípios). As contas estão muito baixas. A minha folha de pagamento está com 53,94% e o limite é 54%. Quando passa de 51,3% (limite prudencial) já é um alerta. Eu não consegui fazer uma admissão. Trouxe um diretor de obras quando entrei e, em compensação, o chefe de gabinete da Prefeitura pediu para sair, pois estava se aposentando, sendo que o primeiro ganha menos que o segundo. Conclusão: não onerei a folha em nenhum centavo. Não trouxe ninguém de fora. Não fiz concurso. Pelo contrário, teve até aposentadoria. Mas, na verdade, eu não estou conseguindo equilibrar (a folha de pagamento). Porém, estou otimista. Estamos procurando organizar e otimizar as coisas. Vendi vários carros que estavam em situação difícil. Comprei três carros novos para a administração municipal e adquiri uma ambulância com dinheiro de leilão de materiais inservíveis. É preciso ser gestor mesmo para poder tocar o município. 
 
Além de não contratar ninguém, tem alguma coisa que o senhor pretende fazer para reduzir a folha de pagamento?
Eu encomendei para o meu setor de planejamento e para o meu advogado a apresentação de um plano de trabalho. Não posso avançar mais, mas e os direitos trabalhistas? Temos dificuldades nos serviços gerais, mas não vou contratar ninguém. Porém, ela (folha de pagamento) continua crescendo porque tem a progressão funcional, tem o plano de carreira. O meu dinheiro do Fundeb está faltando, enquanto que em outros municípios sobra. Nos cinco primeiros meses, faltaram quase R$ 300 mil para pagar professores. Precisamos criar alternativas com os funcionários, ouvindo todo mundo. Estou pedindo um estudo para ajudar a gente a sair dessa, voltar abaixo dos 51,3%. E não ter demissão, porque o risco que existe é esse. 
 
Neste terceiro mandato, qual é o maior desafio?
É equilibrar a folha de pagamento. Também temos a questão do emprego. Nosso município é uma cidade dormitório. Como não há empresas, nosso pessoal trabalha nas usinas da região, em empresas de Araçatuba e Birigui. Na saúde temos uma situação muito difícil. Estamos lutando muito para melhorar o serviço. Quando eu sai da Prefeitura na última vez, deixei quatro médicos; agora temos dois. Queremos voltar a esse número. 
 
Tem alguma área que o senhor pretende priorizar?
O equilíbrio das contas públicas existindo, aí você deve procurar dar mais atenção às questões de saúde e emprego. Hoje, a Prefeitura não está devendo, mas estou tendo que agir com muita firmeza nas decisões. Até demais. Eu tenho controlado tudo o que você pode imaginar. 
 
Como está sendo sua relação com a Câmara nesses seus primeiros meses de governo?
Está sendo uma coisa muito boa. Os nove vereadores estão unidos. Não tenho problema com nenhum deles. Nós elegemos seis e três foram eleitos por outro grupo, mas os nove têm trabalhado juntos. Fizemos uma reunião em um dia desses, às 10h, antes da sessão, para bater um papo e analisar os projetos que iam ser votados. Em vez de ficarmos uma hora reunidos, nós ficamos até as 14h. Saímos dali com acordos. Em muitas coisas fiz a minha parte, cedendo, e eles também. Acho que com esse tipo de coisa a cidade ganha. Espero que continue dessa forma. 
 
Como o senhor pretende tratar a questão da ética em seu governo?
Eu falo para todos os cidadãos da minha cidade: a Prefeitura está aberta para saber o que quiserem. Se alguém, como cidadão, souber de algum desvio em alguma área, eu quero que me informe. Eu tomarei providências imediatamente. Não abro mão disso. Tenho sido muito firme nessa minha palavra com todas as pessoas, abertamente com todos os vereadores. O boletim de caixa está à disposição. Se houver alguma obra pendente ou alguma coisa que alguém quiser saber, estará à disposição. Tenho feito questão de primar pela transparência. 
 
Como o senhor pretende ver Nova Luzitânia quando encerrar seu mandato?
Quero ver o município organizado, onde as pessoas tenham satisfação em morar e felicidade. Acredito que quando a pessoa se dedica à causa pública, em qualquer lugar, o pensamento dela é fazer o melhor. Ninguém vem para fazer o pior. Acredito que vou deixar o município organizado, estruturado, com tudo em dia. Tenho muita esperança nisso.
 
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