Jovem prefeito, velhas práticas

Salmeirão disse, em telejornal, que deixará dívidas para seu sucessor

Um dos mais jovens prefeitos eleitos na história de Birigui, Cristiano Salmeirão (PTB) deixou claro, na semana passada, que carrega uma boa dose de qualidades da velha política. Em entrevista a um telejornal, declarou que deixará dívidas para quem sucedê-lo no cargo, da mesma forma que fizeram com ele. 

“Eles deixaram dívidas e eu farei isso também com os demais, entretanto, sempre com o caixa equilibrado, pois já pagamos aproximadamente R$ 25 milhões de dívidas a curto prazo”, disse, quando questionado sobre a contratação de empréstimo de R$ 20 milhões junto à Caixa Econômica Federal para recapeamento.

Deixando a discussão apenas em Birigui, está evidente, pela manifestação de Salmeirão, que o predominante clima de revanchismo na política do município está longe de se encerrar. Ou seja, uma prática comum entre os antecessores continuará com o atual governante, que não chegou nem à metado mandato. 

Uma posição como essa surpreende ainda mais pelo fato de Salmeirão ter sido eleito com a esperança de renovação. Quem acompanha a política biriguiense já há algum tempo deve ter a consciência do quanto as rixas políticas entre o ex-prefeito Wilson Borini (DEM) e o deputado estadual Roque Barbiere (PTB), padrinho político de Salmeirão, foram nocivas para a cidade nos últimos anos.

Conhecedor do Direito por formação e com um histórico de vereador combativo antes de chegar à linha de frente do Executivo, Salmeirão deve saber também os riscos de deixar despesas elevadas para as próximas gestões. Dentre os quais, podem ser citadas a improbidade administrativa e a rejeição da prestação de contas pelo TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo). É motivo de sobra, portanto, para que a infeliz declaração do petebista faça a população e os órgãos fiscalizadores da administração pública ficarem mais vigilantes. 

Nos últimos anos também, Birigui colocou em prática várias políticas de contenção de gastos, especialmente por causa da recessão na economia. Na Prefeitura, até mesmo gastos com água e luz, além de redução no horário de expediente, chegaram a ser adotadas como medidas de contenção.

Um gestor público precisa ter cuidado para que o foco no enfrentamento político não ofusque o maior direcionamento que ele precisa dar: o bem-estar da população.
Sendo uma das cidades que mais crescem na na região, Birigui tem várias demandas para ficar à mercê de disputas políticas. Já em seu segundo ano de governo, Salmeirão pode mudar essa realidade. É simples. Basta querer. 

LINK CURTO: http://folha.fr/1.384356

Curta nossa fanpage e receba notícias pelo Facebook