Indústria na contramão

Além da queda na geração de empregos, índice regional é um dos piores do Estado

Os números da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) referentes à geração de empregos, divulgados na semana passada, mostram que, pelo menos na região de Araçatuba, a retomada no setor está longe de acontecer.

Setembro foi o sexto mês consecutivo de queda na abertura de postos de trabalho — desta vez, 0,84% na comparação com agosto. A situação caminha na contramão do Estado de São Paulo que, no mês passado, fechou com saldo positivo de 0,08%. E mais: enquanto outras regiões paulistas começam a dar sinais de retomada, Araçatuba ainda não conseguiu sair da crise. Um exemplo é a região do Alto Tietê, que sinaliza uma recuperação desde março, com variações acima da média estadual — a de setembro, por exemplo, foi de 0,32%.

Os dados permitem concluir ainda o quanto a indústria regional é dependente da agroindústria canavieira e da produção de calçados, no caso de Birigui. Como no ano passado, quando a crise econômica atingiu o seu auge, os melhores desempenhos da região se deram em períodos sazonais. Ou seja, nos três primeiros meses do ano, quando começam as contratações nesses segmentos por causa do início da produção calçadista e da safra de cana-de-açúcar.

Está claro que o empresariado da região ainda não demonstra segurança para gerar novos empregos, apesar da propaganda divulgada pelo governo federal de retomada na economia baseada, principalmente, em números da construção civil e da indústria automobilística. 

Considerando-se a tese de que uma cadeia puxa a outra, a verdade é que, quando houver uma retomada no consumo, a situação também poderá melhorar no setor produtivo. Com as vendas ainda aquém do esperado, o comércio acumula estoques, freando a produção industrial. O consumo, por sua vez, só vai registrar altas significativas a partir do momento em que a maior parte da população estiver ocupada.

Araçatuba precisa explorar a condição de estar entre os municípios brasileiros com melhores condições para investimentos, se quiser mudar esse quadro. Condições de estímulos, vindas do poder público, nesse caso, são essenciais. É preciso encontrar formas de atrair empresas, ainda que de pequeno porte, em setores distintos. Mais uma vez, fala-se na importância de melhorar a infraestrutura do parque industrial local, papel este que cabe ao poder público.

Sem gerar emprego, a indústria atravanca o desenvolvimento e estimula a ida de mão de obra, muitas vezes formada no território regional, para outras localidades, onde as fábricas estão em expansão. 

LINK CURTO: http://folha.fr/1.368528

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