Gestão será baseada em honestidade e responsabilidade, garante prefeito

Ildo Gaúcho sonha em criar parque industrial

Ginásio de esportes e minicampo também estão nos planos

Gaúcho de Crissiumal (RS), Ildo de Souza (PSDB) reside há 26 anos em Glicério. No ano passado, foi eleito para administrar a cidade pela primeira vez. Empresário do ramo de couro para calçados e administrador de um grupo de frigoríficos, o tucano disse que um dos principais desafios em seu governo será a implantação de um parque industrial para atrair empresas, gerando emprego e renda para o município.

“É o sonho de qualquer município e estamos situados em uma área, logisticamente, que tem as duas principais rodovias, como a Marechal Rondon (SP-300) e Assis Chateaubriand (SP-425), que leva a outros Estados, como Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais”, afirmou.

Além da implantação do parque industrial, Ildo Gaúcho, como é conhecido na cidade, lembrou que busca recursos para a construção de um ginásio de esportes e um minicampo, locais usados para as práticas esportivas e que o município não conta até hoje. Ele, que afirmou trabalhar, no mínimo, 15 horas por dia, observou que, em resposta aos 2.216 votos obtidos, a população pode esperar muito trabalho e que sua gestão será baseada na ética, honestidade e responsabilidade.
    
Confira trechos da entrevista que ele concedeu à Folha:
    
O senhor é empresário. Por que entrar na política?
Sempre me envolvi nas causas sociais do município e, com isso, fomos nos destacando e sendo apontado pela população como um candidato ideal para ocupar o cargo. Nosso nome foi bem cotado em pesquisas e formamos um grupo novo para a disputa do pleito que, de uma forma tranquila e natural, conseguiu ser eleito. Nossa vitória representa que a comunidade entendeu que essa mudança era necessária para a cidade. Meu objetivo à frente do Executivo é trazer melhorias para a cidade que, a meu ver, está abandonada há muitos anos.
    
Em uma cidade pequena como Glicério, de que forma o senhor espera empregar na administração pública sua experiência na iniciativa privada?
Na iniciativa privada, você precisa produzir o produto e depois vendê-lo para pagar as despesas e os funcionários. É um trabalho que precisa ser muito bem organizado e acompanhado de perto, senão pode-se perder muito dinheiro. Na iniciativa pública não é diferente, já que todos os dias entram recursos públicos e, se o prefeito monta uma equipe honesta e capacitada para fazer um planejamento para destinar corretamente o dinheiro nas áreas da saúde, educação, infraestrutura, habitação, esporte, lazer e cultura, não resta dúvidas que o município só tem a crescer. A experiência que eu trago da iniciativa privada para a pública é aplicar os investimentos da maneira correta.
    
Nesse período de governo, qual a diferença que o senhor pôde perceber de comandar uma empresa e uma prefeitura?
Tem diferença, sim. O que nós encontramos aqui na Prefeitura, e que talvez seja atípica das demais, é que tínhamos um grupo político que se perpetuou por muitos anos à frente do Executivo e, por isso, temos resistências de algum funcionário. A minha preocupação e meu compromisso é com a gestão e, prova disso, já fizemos muitas melhorias que podem não ter aparecido ainda para a população, mas são frutos que colheremos em breve.
    
Que balanço faz desses três meses de governo?
Estamos montando uma equipe bem estruturada e capacitada. Diminuímos de dez para cinco secretarias, reestruturamos a educação e fizemos algumas mudanças na saúde, adquirindo, no começo do ano, mais de R$ 50 mil em medicamentos. Além disso, implantamos o sistema de ponto para os médicos cumprirem o horário nas unidades básicas de saúde de Glicério e do distrito de Juritis, e cortamos ainda as horas extras e gratificações, bem como implantamos um controle no uso dos veículos oficiais. Com estas economias que estamos fazendo, vamos até o segundo semestre adquirir novos ônibus para o transporte de estudantes e trabalhadores.
    
Passado esses três meses, já deu para estabelecer quais são as prioridades do seu governo?
A nossa prioridade é fazermos uma saúde justa e oferecer um serviço de qualidade para os moradores. Outro ponto que estamos em busca de recursos no governo estadual é para a implantação de um parque industrial às margens da rodovia Marechal Rondon (SP-300), com o objetivo de atrair empresas, gerar emprego e renda para o município.
    
Como está a questão financeira de Glicério?
O município não ficou com dívidas a pagar, mas também não foi feito nada. O que ficou de saldo na conta da Prefeitura no final do ano foi o dinheiro repatriado da Lava Jato, que foram duas etapas que Glicério recebeu até agora. Como prefeito, digo que a pior dívida que se pode herdar do anterior é uma frota de veículos sucateados e sem manutenção, além de um quadro de funcionários desmotivados pelo baixo salário que recebem. Ao meu ver, o pior vencimento dos 43 municípios da região é o de Glicério.
    
O senhor foi nomeado tesoureiro da Associação dos Municípios do Noroeste Paulista. Como isso pode beneficiar Glicério?
A região sofre por falta de representatividade parlamentar. Enquanto São José do Rio Preto conta com 12 ou 13 parlamentares, entre ministros, senadores e deputados estadual e federal, a nossa região conta apenas com o Roque Barbiere (PTB) na Assembleia Legislativa de São Paulo. O que nós fizemos foi montar essa associação para fortalecer a região e conseguir angariar mais recursos, além de podermos aumentar a representatividade nas esferas estadual e federal.
    
Recentemente, o senhor esteve em São Paulo participando de audiência. Quais pedidos o senhor fez?
Protocolamos vários pedidos na capital paulista, entre eles recapeamento asfáltico, a aquisição de um micro-ônibus para o transporte de crianças da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), envio de novas ambulâncias, a construção de um centro comunitário, casas populares e reforma das unidades básicas de saúde, além da implantação de um ginásio de esportes e um minicampo, pois Glicério não conta com isso. Acredito que seja a única cidade do Estado que não possui locais para a prática esportiva.
    
Como é a sua relação com os vereadores? Sofre oposição?
Nossa relação é muito harmônica. Dos nove vereadores, sete nos apoiam, porém o que eu quero é que eles fiscalizem o prefeito e votem os projetos que serão benéficos para a cidade.

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