'Vamos ter laboratórios na área de educação. Acho que tudo isso não é gasto. É um investimento', diz o prefeito

Geração de empregos é principal desafio de Tarek

Instalação de fábrica pode amenizar problema, acredita

Além da grande quantidade de chuva no mês de janeiro, que provocou problemas em ponte e causou interdição em diversos pontos de estradas municipais, o prefeito de Guararapes, Tarek Dargham (PTB), disse que um dos principais obstáculos a ser superado em seus primeiros dias de governo é o desemprego. Porém, para amenizar esse problema, ele aguarda a resposta de uma empresa de confecções que deseja se instalar na cidade. Após isso, será possível decidir onde ficará a área para a instalação de um barracão, que será destinado a uma incubadora de empresas. “Eu quero ver se ainda neste ano ou até o início do ano que vem esse barracão comece a ser feito”, afirmou Tarek.

Uma notícia que o animou foi a incorporação da Unialco, usina do município, por uma grande empresa do setor, com a promessa de aumentar o quadro de funcionários e produção. “Acaba tendo mais emprego e recolhimento de imposto”, comentou o chefe do Executivo de Guararapes, o quarto entrevistado da série “Sua Cidade em Discussão”. Confira trechos da entrevista que ele concedeu à Folha:
    
Qual o balanço que o senhor faz dos dois primeiros meses de seu governo?
Foi de muito trabalho. Nós tivemos em janeiro um mês com chuvas atípicas. Perdemos ponte, tivemos vários pontos interditados de estradas, sendo que Guararapes tem mais de 500 quilômetros de estradas municipais. A própria situação dos maquinários fez a gente sofrer muito. Nós fomos priorizando. Primeiro uma patrol, depois uma pá carregadeira. Na saúde, a gente teve que colocar ambulâncias para trafegar. Em fevereiro, já com menos chuvas, a situação ficou mais amena e hoje a gente já está respirando um pouco. Já tenho uma boa parte da frota e de ambulâncias rodando. A gente já teve uma arrecadação com algum sinal de luz no fundo do túnel. A própria economia está dando sinais de recuperação, mas foi difícil, principalmente, pelo desemprego. É difícil um chefe de família chegar e dizer “preciso trabalhar”. Recentemente, uma firma muito grande, uma das mais fortes do mundo, incorporou a Unialco e vai aumentar o quadro e a produção. Acaba gerando mais emprego e recolhimento de imposto. Só o fato de ela ter uma estabilidade muito grande e gerar um pouco mais de emprego já vai ajudar. 
    
Durante a campanha, o senhor disse que desejava levar uma incubadora de empresas para Guararapes. O senhor já começou a fazer isso?
Nós estamos analisando. Temos alguns locais. Só não sabemos ainda precisar a data, porque eu tenho ainda que passar por algumas dificuldades para poder respirar e fazer um barracão. Por exemplo, eu não consegui ainda dar a reposição salarial do pessoal. A partir deste mês, a gente aumentou o tíquete-alimentação de R$ 420 para R$ 460 - um pouquinho a mais do que a inflação. O tíquete, inclusive, fui eu que implantei em outra administração. Assim que eu puder, vou fazer esse reajuste da inflação pelo menos. Eu quero ver se ainda neste ano ou início de 2018 esse barracão comece a ser feito. Eu tenho um que praticamente está pronto, onde até uns anos atrás funcionava uma confecção. Mas como eu tenho ali uns dois ou três pedidos, e um deles nos interessou bastante, que é uma fábrica de confecções, se der certo, vou priorizá-la e fazer todos os trâmites legais para que ela possa ali gerar emprego. Se ela não vier, posso iniciar uma incubadora de tamanho médio; se vier, vai gerar empregos e podemos construir o barracão de bloco, com cobertura, em alguma das outras áreas. Não é coisa tão cara. 

Na campanha também o senhor disse que tinha preocupação com uma dívida de R$ 18 milhões em relação à perfuração de um poço. Como está essa dívida e a situação financeira do município?
É uma dívida de precatórios. A do poço deve estar hoje na faixa de uns R$ 14 milhões. Mas o montante dos precatórios está na faixa de uns R$ 18 milhões. A tendência é esse valor cair. Porque o primeiro precatório da lista era de uma quantia de quase R$ 500 mil, que tinha que ser pago neste ano. Foi negociado e ele caiu para R$ 400 mil, que foi dividido em oito vezes e, depois, homologado pelo jurídico da Prefeitura e o da parte, e pelo juiz. Acho que esse valor de R$ 18 milhões tem muito para cair. Não sei se 20% ou 30%, mas vamos tentar derrubar o máximo que der. Tivemos reuniões em São Paulo e já conseguimos um bom respaldo em nível de orientação. Nós queremos fazer tudo de forma legal. 
    
Um dos problemas da cidade são os buracos nas ruas. As chuvas atrapalharam alguma tentativa de tapá-los?
Na verdade, a gente ainda não tinha começado o tapa-buraco (em janeiro e fevereiro). Tínhamos feito um recapeamento. Três licitações foram abertas na quinta-feira (16), uma para asfalto e outras duas para recapeamento. O tapa-buraco começamos há quatro dias. Como eu disse, a gente entrou e tivemos que tomar pé (da situação). Tínhamos que fazer licitação para comprar emulsão, outra para comprar pedra. Isso tudo se concretizou dentro do que a gente pode. Não tínhamos condições de começar antes. Iniciou agora e tem mais licitações para recape e asfalto. Se Deus quiser, vamos estar com uma cidade com visual melhor e dando menos problemas para o pessoal. 
    
O senhor disse em campanha que suas prioridades seriam saúde e educação. Como recebeu estes dois setores e o que está sendo feito por eles em sua administração?
Na educação, encontrei falhas muito grandes em relação ao que se inaugurou no ano passado. Inauguraram duas creches: uma do governo do Estado e outra do governo federal. Só que sem gente para trabalhar. Hoje estamos com déficit de 13 professores e com o limite da folha de pagamento lá em cima, não conseguindo dar nem a reposição da inflação (aos servidores). Estamos nos desdobrando para contratar esse pessoal, tentando abrir uma licitação para contratar uma firma de educação para fornecer um material moderno para nossas crianças. Vamos torcer para que venham várias firmas para dar uma segurada no preço, ao mesmo tempo em que a empresa oferece material de qualidade. Isso fica um pouco mais a cargo das professoras, porque é uma licitação que não é comum, como as demais. Vamos ter laboratórios na área de educação. Acho que tudo isso não é gasto. É um investimento. Só vamos ter dias melhores com uma criança que começa a ter uma boa educação e que seja acompanhada até a juventude. Quero fazer um plano para melhorar a vida do professor, que anda muito desvalorizado. E não é só aqui, mas em vários lugares. Você tem que dar o mínimo de condições para o professor trabalhar, não só em cursos e materiais, mas tem que dar o financeiro. Quanto à saúde, estamos com uma estrutura que precisa ser melhorada. Da mesma forma que eu disse que inauguraram duas creches sem ter estrutura funcional, isso também aconteceu com um posto de saúde na periferia. Não temos auxiliar e nem médicos o suficiente. Tiraram de um lugar, desproveram ali e levaram para lá. Estamos já chamando. Vamos ter uma pediatra a mais que começa segunda-feira (20). Estamos com mais um ortopedista trabalhando. Estamos com a Santa Casa em processo de recuperação. Ela passava por uma intervenção e devolvemos à Irmandade. Eu sou contra qualquer medida de força, a não ser quando realmente é necessária. Acho que hoje não é necessária a intervenção. Eu penso que nem na época, mas aí vai da maneira de cada um. O município vai continuar ajudando no custeio do pronto-socorro, que é uma obrigação municipal.

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