Fogo, prejuízo e destruição de sonhos

Queimada é um dos principais problemas urbanos a serem resolvidos

De um simples fogo ateado em galhos soltos na rua, foi-se praticamente tudo o que estava planejado para um casamento previsto para acontecer em menos de um mês: os vestidos da noiva e das madrinhas, todos os presentes recebidos até o momento e o dinheiro guardado para o pagamento do bufê. Este foi o resultado de uma queimada irresponsável em área urbana, que fez as chamas atingirem uma residência no bairro Jandaia, em Birigui.

Está claro o quanto esta prática já caracteriza um dos principais problemas urbanos a serem resolvidos, especialmente em cidades da região, onde há a predominância do clima quente e seco. São elementos de sobra para levar à conclusão do quanto o uso do fogo é nocivo ao meio ambiente e à saúde. Tão grave quanto esses fatores é o risco à vida. 

A perda de todo o enxoval de casamento daqueles noivos provocou forte comoção. Uma campanha de moradores da cidade foi iniciada a fim de angariar recursos para a compra de novos objetos para o casal que perdeu tudo.

Como em muitas situações neste País, em que providências são tomadas apenas após a ocorrência de tragédias, com as queimadas, já há a necessidade, por parte do poder público, de uma ação mais rigorosa que alinhe fiscalização intensa e rigor na aplicação de punições. Tão importante quanto isso é estreitar os canais de comunicação da sociedade com as autoridades para que denunciem cada ato criminoso desse tipo. A falta de rigor faz os adeptos desse ilícito terem a certeza de que, nunca, nada vai acontecer.

Outra situação que seria importante evitar é a permanência de um ambiente favorável à prática. Terrenos baldios são locais propícios para quem gosta de atear fogo na zona urbana. Em alguns municípios, como Araçatuba, recentemente, a Prefeitura decidiu aumentar o valor da multa aplicada a quem deixa terrenos abandonados. 

É o tipo de medida que obriga os proprietários a cuidar dessas áreas. Da mesma forma, devem ser intensificadas as ações voltadas ao combate ao despejo ilegal de lixo, outro alvo frequente dos queimadores.

Tem-se, portanto, todo um cenário que tornam necessárias ações mais incisivas no sentido de impedir que incêndios virem uma banalidade. Quando o fogo é ateado, não é o avanço do mato alto nem o acumulo ilegal de resíduos que está sendo impedido. 

Está, sim, ameaçando vidas, prejudicando a saúde, colocando em xeque a preservação da fauna e flora e, em algumas situações, como no caso dos noivos de Birigui, até destruindo sonhos.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.361699

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