Participantes se reuniram no Parque do Povo e, durante o trajeto, promoveram um buzinaço

Família de jovem morto em acidente realiza carreata e 'clama' por solução

Lopes morreu na madrugada de 1º de janeiro, em Birigui

Parentes e amigos do estudante Bruno Lopes, de 20 anos, que morreu em acidente na madrugada de 1º de janeiro, em Birigui, fizeram uma carreata na manhã deste sábado (13) para cobrar justiça e empenho nas investigações. Eles se reuniram no Parque do Povo e percorreram por diversas ruas e avenidas em carros e motos. Durante o trajeto, os participantes promoveram um buzinaço.

A Polícia Militar e a Guarda Municipal acompanharam a carreata. Emocionados, os participantes fizeram uma oração antes da saída. Eles usavam camisetas com a foto do estudante. Segundo o tio e padrinho da vítima, o representante comercial Odair de Carvalho, de 43 anos, a ideia é não deixar o caso cair no esquecimento e fazer com que os motoristas se conscientizem mais no trânsito. "Fizemos para lembrar o que ocorreu, para homenageá-lo, mas, principalmente, para pedir justiça. Clamamos por uma solução", contou.

Lopes bateu a moto que pilotava na lateral de um carro, no cruzamento entre a avenida Geracina de Menezes Sanches e a rua Dona Augusta Sanches, no bairro Vale do Sol, em Birigui. O veículo teria invadido a preferencial e interceptado a moto. O jovem chegou a ser socorrido, mas morreu antes de dar entrada no pronto-socorro. 

BASE
A irmã da vítima, a secretária Michele Mari Lopes, de 26 anos, contou que, depois do falecimento do pai, o estudante 'assumiu' a chefia da casa. "Ele era uma pessoa responsável, trabalhador, educado e amigo de todos. Tudo o que ele fazia, antes nos consultava. Meu irmão estava muito feliz, pois fazia um mês que tinha comprado a moto", disse.

Ela acrescentou que a vítima estava no 4º ano do curso de Farmácia e que tinha inúmeros planos que foram ceifados. "Ele dizia que venderia a moto e, com o dinheiro, compraria um carro para que eu e minha mãe não tomássemos chuva para irmos ao trabalho. Perdemos a nossa base", ressaltou, emocionada. Michele destacou que a família aguarda que o casal seja condenado. "Queremos justiça, pois nossa família está despedaçada. Além disso, eles terão de pagar o conserto da moto", observou.

REVIRAVOLTA
O caso teve uma reviravolta, quando a mulher que declarou estar conduzido o carro envolvido na colisão, mudou sua versão do ocorrido. Após a exibição de imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos comerciais próximos ao local do acidente, ela confessou que, na verdade, seu marido é quem estava dirigindo o automóvel. 
 
A família do rapaz conseguiu as imagens, que foram levadas à Polícia Civil pelo advogado Jerônimo José dos Santos Júnior. As filmagens mostraram que, aparentemente, a mulher estava no banco do passageiro do carro, enquanto seu esposo conduzia o automóvel. Ele saiu do local antes da chegada da unidade do Resgate e dos policiais militares.
 
O delegado do 2º Distrito Policial, Eduardo Lima de Paula, que investiga o caso, contou que após o recebimento do material, imediatamente, a mulher foi conduzida ao distrito. A princípio, ela manteve a versão apresentada no dia do acidente. Porém, após a exibição das imagens ela se retratou. 

A mulher negou, no entanto, que o esposo estava embriagado e afirmou que ele teria saído do local por medo de ser linchado por populares. O marido, segundo o delegado, se apresentou e, durante depoimento, manteve a versão da esposa, ou seja, que não tinha ingerido bebida alcoólica e que viu a luz da moto muito longe, quando iniciou a travessia.

Ela será autuada pelo crime de "autoacusação falsa", uma penalidade de menor potencial ofensivo, prevista no artigo 341 do Código Penal e se comprometeu a comparecer no Juizado Especial Criminal quando for intimada. Já o marido dela deverá ser indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. 

LINK CURTO: http://folha.fr/1.383840

Curta nossa fanpage e receba notícias pelo Facebook