Lalo (destaque) é dono de loja de calçados; fraude alimentava lâmpadas da fachada, que na noite de terça estavam apagadas

Empresário se recusou a falar à polícia sobre 'gato' em loja

Acusado fez uso do direito constitucional de ficar calado

O empresário José Carlos Taldivo, 68 anos, o Lalo, preso em flagrante na tarde de terça-feira, em Birigui, após a polícia encontrar um "gato" de energia elétrica na loja dele, recusou-se a falar sobre o fato em depoimento na delegacia.

A Folha da Região teve acesso ao termo de interrogatório do acusado, no qual consta que ele faz uso do direito constitucional de ficar calado para se pronunciar apenas em juízo. O flagrante foi feito por policiais do GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil, que no início da tarde estiveram na loja, que fica na praça Dr. Gama. Eles estavam acompanhados de técnicos da CPFL Paulista. Durante vistoria na instalação elétrica do prédio, na presença do empresário, foi localizada uma ligação clandestina feita por meio de um cabo ligado ao prédio diretamente do poste, sem passar pelo medidor, que é o tradicional "gato" de energia.

Esse cabo estava ligado a um disjuntor que acendia dezenas lâmpadas de alta potência que iluminavam toda a fachada do prédio, que fica em uma esquina. Constatada a fraude, uma equipe do IC (Instituto de Criminalística) foi chamada para realizar a perícia. O cabo usado para fazer a ligação clandestina foi apreendido junto com o termo de inspeção de ocorrência elaborado pela equipe da CPFL Paulista.

Taldivo foi preso em flagrante pelos policiais e levado para a delegacia na viatura, depois permaneceu na cela enquanto era elaborado o boletim de ocorrência. O registro foi acompanhado pelo advogado Rodrigo Martins, que é genro do acusado.

SILÊNCIO
No termo de interrogatório de Taldivo, consta que ele foi cientificado pela autoridade policial sobre os direitos individuais que possui, incluindo o de manter-se em silêncio e/ou declinar informações que considerar úteis à autodefesa dele.

Após declarar que não desejava que ninguém da família dele fosse informado sobre a prisão, o empresário foi informado sobre o que estava sendo apurado pela investigação e usou do direito de permanecer calado e de só se manifestar quando for apresentado ao juízo.
Em seguida, foi comunicado pela autoridade que o crime em tese praticado por ele não é passível de concessão de fiança na fase policial e que seria apresentado na audiência de custódia, no Fórum de Justiça.

Apesar de ter manifestado o desejo de permanecer em silêncio, a autoridade policial leu para Taldivo 15 perguntas relativas à investigação, entre elas, se conhece e se foi ele que contratou o chamado "gateiro" para fazer a ligação clandestina; quanto economiza por mês com a fraude; quem indicou "Paulinho" (Paulo Sérgio Teramossi Júnior, um dos eletricistas presos) para executar o serviço; quanto pagava a ele por mês; se as visitas eram mensais; se o indicou para outras pessoas; e se conversava com o "gateiro" pelo aplicativo Whatsapp.

FIANÇA
O empresário será indiciado por furto qualificado, cuja pena é de até oito anos de reclusão. A legislação prevê que se a pena for superior a quatro anos, não cabe fiança na fase policial.
Apesar de o flagrante ter ocorrido depois das 13h, quando encerra o horário das audiências de custódia, a Justiça de Araçatuba aceitou receber a representação feita pela defesa do acusado e concedeu a ele a liberdade provisória mediante pagamento de R$ 5 mil de fiança. Esse foi o maior valor arbitrado entre os presos apresentados em audiência de custódia após flagrante da operação Gato de Botas 2.


Operação é a maior já feita na região

Com mais de 70 prisões em flagrante registradas em dez dias, a operação Gato de Botas 2, desencadeada pela Delegacia Seccional de Araçatuba para coibir furtos de energia elétrica por meio de fraudes nos medidores, já é a maior ação do tipo realizada pela Polícia Civil na região.

Ela foi deflagrada na segunda-feira (24) e até ontem, mais de 250 mandados de busca judicial tinham sido cumpridos. Outros locais podem ser visitados no decorrer da investigação, que não tem prazo para ser concluída. A maioria das prisões ocorreu em Birigui, onde residem dois dos três eletricistas presos temporariamente acusados de serem os autores das fraudes na rede elétrica. O terceiro é de Lins.

RESTAURANTE
A reportagem apurou que mais três prisões em flagrante foram realizadas na quarta-feira (2), uma delas em Birigui. A fraude foi constatada pela polícia em um restaurante na rua Bahia. Os técnicos da CPFL Paulista retiraram o medidor de energia, constataram a fraude e o equipamento foi apreendido para ser periciado pelo IC (Instituto de Criminalística). O comerciante de 30 anos, responsável pelo estabelecimento, foi preso em flagrante.

Ainda pela manhã, a polícia constatou adulteração nos medidores de energia de um depósito de materiais de construção em Clementina. Nesse caso, os lacres estavam violados e um deles não era de uso da companhia de energia. O proprietário, também foi preso em flagrante.

A terceira ocorrência do dia foi registrada em Piacatu, após a constatação de fraude no sistema elétrico de um depósito de bebidas. Até o início da noite, a reportagem não teve acesso às informações sobre esse flagrante.

AUDIÊNCIA
Todos os presos em flagrante acusados de furto de energia elétrica durante a operação são apresentados em audiência de custódia e a maioria deles foi solta mediante pagamento de fiança estipulada pela Justiça. Pelo menos sete deles, presos no primeiro dia da operação, tiveram a prisão relaxada, sem pagamento de fiança.

A prisão temporária, inicialmente por cinco dias, dos três eletricistas foi prorrogada pela Justiça na última quinta-feira (27) e a Polícia Civil já representou pela decretação da prisão preventiva do trio. Até o início da noite de ontem não tinha sido divulgado se o pedido foi atendido. 

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