Diretor do Ciesp, Samir Nakad diz que indústria calçadista influenciou resultado

Emprego na indústria: região teve o segundo pior resultado do Estado em 2017

Região fica somente na frente da de Botucatu

A região de Araçatuba teve a segunda maior queda no estoque de empregos industriais do Estado em 2017. As fábricas do território realizaram cortes equivalentes ao recuo de 9,38% no volume de mão de obra ocupada do setor, de acordo com a pesquisa Nível de Emprego Industrial divulgada na quarta-feira (17) pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). A variação representa a demissão de aproximadamente 4.750 operários na diretoria regional do Ciesp em Araçatuba. 

O desempenho demonstra um agravamento no mercado de trabalho do setor secundário quando comparado com 2016, quando o nível de emprego fabril caiu 5,45% — o que significou o encerramento de 2,9 mil postos de trabalho. 

ESTADO
A região foi na contramão do Estado. Embora a indústria paulista tenha apresentado um desempenho negativo em 2017, o resultado do ano passado teve um volume de cortes inferior ao de 2016. Além disso, São Paulo registrou o menor fechamento de vagas desde 2011. A indústria paulista eliminou 35 mil empregos em 2017, enquanto entre 2014 e 2016 foram excluídas, em média, 173 mil vagas por ano.

Das 36 faixas do Estado de São Paulo, a área composta pelos 34 municípios da diretoria de Araçatuba só não teve resultado pior do que a região de Botucatu, que eliminou 5.050 vagas e registrou uma queda de 15,72% no estoque de emprego industrial. Oito regiões tiveram um saldo positivo em 2017 (veja infográfico). Ao todo, 28 diretoriais regionais do Ciesp demitiram mais do que admitiram no ano passado. 

SETORES
No caso de Araçatuba, a confecção de artigos de vestuário e acessórios, que engloba a produção de calçados, e a indústria moveleira puxaram a queda. 

De acordo com o diretor regional do Ciesp, Samir Nakad, as dificuldades da indústria calçadista tiveram o maior impacto no resultado local. A fabricação de móveis emprega um volume menor de trabalhadores, por isso mesmo um número pequeno de demissões gera um percentual alto de queda. Ele destaca que outras regiões com polos calçadistas como Franca e Jaú também tiveram resultados negativos. 

“O mercado de calçado vem sofrendo muito. A gente tem percebido que está difícil para mercado de moda como um todo. Quando a disponibilidade financeira está restrita, o consumidor reduz a compra”, afirma. 

Nakad acredita que o costume de irmãos mais novos herdarem sapatos dos mais velhos e de doação de pares para primos e vizinhos se torna mais intenso em anos de crise, o que dificulta a aquisição de novos calçados pelas famílias e prejudica as fábricas do segmento infantil de Birigui. Já a manufatura de calçados femininos — que ultrapassa 20% da produção do polo — sofre com a diminuição do consumo. A queda no preço dos pares também impacta o faturamento do polo calçadista.

DEZEMBRO
A indústria regional teve em dezembro do ano passado o pior resultado mensal desde o mesmo mês de 2015, quando o estoque de empregos formais do setor encolheu 5,87%. As fábricas dispensaram cerca de 1,9 mil postos de trabalho no último mês de 2017, o que representa uma queda de 4% no universo de operários ativos na comparação com novembro. 

A região já acumula nove quedas mensais consecutivas no nível emprego industrial. Em 2017, a indústria local só registrou alta no indicador em janeiro e março.


Diretor acredita em melhora da economia em 2018

Para Nakad, o resultado da região em 2017 é preocupante, por significar a perda de quase 5 mil empregos formais. Contudo, ele também tem expectativa de melhora na economia e, com isso, resultados mais positivos em 2018, ainda que ele não consiga ainda estimar quando todos os empregos perdidos deverão ser recuperados. “Um fator positivo é que sentimos dia a dia a economia se desvincular da política.” 

Nakad não acredita que a Copa do Mundo e as eleições devam prejudicar a produção industrial em 2018. Ele relembra que grande parte dos jogos realizados na Rússia devem ser transmitidos à noite, no horário de Brasília. 

CARGA TRIBUTÁRIA
Um problema que ainda afeta a indústria brasileira e estimula nos últimos anos um movimento de desindustrialização no País é o volume de impostos do setor. “Há 20 e poucos anos, a indústria representava mais de 25% do PIB nacional. Hoje, dizem que representamos entre 9% e 11% do PIB. Apesar disso, nós representamos 30% de todos os impostos arrecadados no País.” 

Nakad explica que o excesso da carga tributária onera a produção e faz com que a manufatura nacional perca competitividade em relação a produtos estrangeiros.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.384907

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