A prefeita de Alto Alegre, Helena Berto (PV), está começando segundo mandato e se preocupa com a folha de pagamento

Em Alto Alegre, folha de pagamento é preocupação

Percentual de despesa está se aproximando dos 54%

Começando seu segundo mandato, a prefeita de Alto Alegre, Helena Berto (PV), afirmou que sua a única preocupação hoje é a folha de pagamento. Segundo a chefe do Executivo, o percentual dessa despesa está se aproximando dos 54% - limite para esse tipo de gasto, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal. 

Isso ocorreu, segundo ela, porque sempre procurou conceder a reposição da inflação nos reajustes salariais dos servidores. No entanto, os repasses do governo diminuíram, enquanto os gastos com a folha de pagamento continuaram a subir. Para resolver a situação até o fim deste ano, Helena vai cortar cargos comissionados e horas extras. 

O município foi destaque na questão da transparência, ficando em segundo lugar em ranking elaborado pela CGU (Controladoria Geral da União em 2015. De acordo com Helena, as ações nessa área continuam.

Confira trechos da entrevista que a chefe do Executivo concedeu à Folha da Região:
    
Como foram os primeiros seis meses de seu segundo mandato?
Para mim, não está sendo muito difícil, porque eu já vinha de um governo de quatro anos, com superávit e recursos na conta. Já vinha me preparando para o segundo mandato. É na verdade uma continuidade. Não houve nenhum rompimento. Foi bem tranquilo. Existem algumas obras para inaugurar e outras para dar início. 
    
Não há nada de diferente em relação ao primeiro?
Eu entendo que está sempre mais difícil. Tivemos 2013 e 2014 que foram anos bons. Agora, 2015 e 2016 foram muito difíceis em termos de recursos do governo e liberações de emendas, que não ocorreram praticamente. Neste ano, o governo está liberando algumas coisas, mas está bem fechada a torneira do governo. Estamos aguardando um dinheiro extra do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), pode vir recursos da repatriação em agosto. O nosso maior problema é a folha de pagamento. Em todos os quatro anos de meu governo dei a reposição da inflação aos servidores. A folha de pagamento é a única coisa que nos preocupa. 

Hoje o percentual da folha de pagamento da Prefeitura de Alto Alegre está em quanto?
Minha folha de pagamento beira os 54%. O hospital é municipal, não é entidade. Todo o gasto que eu tenho com pessoal no hospital incide na folha de pagamento. Temos número reduzido de funcionários. É o mesmo de quando eu assumi em 2013. Mas a folha de pagamento é alta, por conta dos repasses que estacionaram, enquanto a folha continua a subir. Tenho até o final do ano para me adequar. 
    
O que pretende fazer para resolver esse problema?
Outra coisa que quero deixar assinalado é que muitos servidores estavam afastados, recebendo pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), por problemas de saúde, e estão retornando. Já tenho quatro funcionários que retornaram. Um deles tinha mais de cinco anos de afastamento. É outro problema que as prefeituras vão enfrentar, pois o INSS está liberando todo mundo para voltar ao trabalho e aí voltam a incidir na folha de pagamento. Vou diminuir os cargos de confiança, que já são o mínimo do mínimo. Tenho sete cargos de confiança. Diminuirei hora-extra e acompanharei mês a mês, para que a gente consiga estar dentro da lei.
    
Neste segundo mandato, a senhora tem alguma área que pretende priorizar?
Quero priorizar a mobilidade urbana. Ter um carinho com a cidade mesmo. Fazer recapeamento, melhorias em praças e calçadas. Fazer essa parte visual do município. Temos algumas obras importantes. Fizemos uma UBS (Unidade Básica de Saúde). Estou inaugurando uma creche que ficou maravilhosa. Fizemos uma quadra no Centro Comunitário e ampliamos o posto de saúde. Então, na parte de obras estamos praticamente tranquilos. Temos alguns pedidos, mas não tão urgentes. Eu quero, agora, realmente trabalhar com a parte urbana: embelezamento, mobilidade urbana, cuidado com as praças. Quero a iluminação da entrada da cidade, que hoje não temos. Precisamos começar um projeto de rearborização. Nós temos o oitis, que não é apropriado para a cidade. Estraga a calçada e tem muitas folhas. Plantaremos árvores intermediárias, para aos poucos erradicar o oitis. Talvez consigamos uma faculdade que está em parceria com a gente. 
    
Como está sendo seu relacionamento com a Câmara?
Está tranquilo. Nós temos a maioria sempre que o projeto é bom. Quando o projeto é de interesse da população, temos a maioria. Acredito que os vereadores não vão ser contrários aos projetos que beneficiam a população. A Câmara não é a favor ou contra o prefeito. Ela é a favor da população sempre. Mesmo na gestão passada, quando, em tese, eu não tinha a maioria, nunca tive problema com a Câmara nesse sentido. 
    
Alto Alegre teve bastante destaque na questão da transparência. Seu governo continua investindo nessa área?
Continuamos. Nós mudamos o nosso site para ficar mais fácil para o pessoal visualizar. As pessoas que nos questionam por meio do serviço de informação ao cidadão e nós respondemos. Estamos colocando on-line as diárias de motoristas e adiantamentos. O Facebook também é um meio de comunicação muito bom. Tudo o que é de interesse da população, coloco no Facebook da Prefeitura.


A questão da transparência está muito ligada à ética. Como você vê a ética em um País que está cercado de escândalos a cada minuto?
É lamentável o que estamos passando. Aqui no interior, em cidades menores, a corrupção, se existir, é mínima. Agora, quando você vê um governo federal com rombos bilionários é lamentável. Estamos passando por dificuldades e agora sabemos o motivo. A transparência é importante para isso, mas veio muito tarde. Uma das coisas que o TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) está fazendo e eu acho importantíssimo é que eles estão acompanhando as atividades da Prefeitura no dia a dia. Vamos supor que existe um problema pontual, às vezes, sem que o gestor tenha intenção de fraudar, como uma licitação. O tribunal de contas anota e a gente corrige a tempo. Não vai precisar pagar depois de muitos anos. Os municípios não têm ferramenta e pessoal, que pode estar estudando todos os dias. Nós trabalhamos com o mínimo e não podemos pagar profissionais caríssimos para acompanhar a nossa atividade no dia a dia. Embora os funcionários prezem seu trabalho, eles podem derrapar. O tribunal fazendo um acompanhamento diário é muito importante. 
    
A senhora tem planos para trazer empresas ao município para aumentar empregos e arrecadação?
Nós estamos investindo na agricultura familiar. Nós investimos em uma associação que estava parada e hoje tem 13 novos produtores de leite fazendo entregas. Está dando muitos bons resultados. E apostamos em pequenas empresas. Três empresas grandes vieram em 2014 para analisar vir para o município, mas, com a crise, elas informaram que o momento era de parar um pouco e esperar. Pequenas empresas nós temos duas. Toda pessoa que tiver um projeto nós estaremos dando a mão e o apoio que desejar. Uma empresa muito boa, que vai gerar de 60 a 90 empregos, está avaliando (vir para Alto Alegre) e vamos fazer um esforço para que ela venha. 
 

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