Prefeita quer se reunir com empresários este mês

Desafio de Terezinha é R$ 1,3 milhão em precatórios

Eleita prefeita de Coroados pela segunda vez, teve com 1.783 votos

Eleita com 1.783 votos para a Prefeitura de Coroados, em outubro do ano passado, Terezinha Aparecida Castilho Varoni (DEM) exerce seu segundo mandato e elencou como principal desafio de sua gestão o pagamento, até dezembro deste ano, de R$ 1,3 milhão em precatórios. 

Casada com o ex-chefe do Executivo Arso João Varoni, que administrou Coroados por três mandatos e que o classifica como conselheiro, Terezinha comentou os projetos para a melhoria do município e os outros desafios que terá em sua gestão, como reformas em prédios públicos e a geração de empregos.

Para isso, a prefeita, que exerceu seu primeiro mandato em 1993 - ainda quando Brejo Alegre era distrito de Coroados -, pretende se reunir com os empresários locais este mês e definir em quais pontos o Executivo pode ajudar a melhorar a economia local. Terezinha é a 11ª a participar da série “Sua Cidade em Discussão”. Confira trechos da entrevista que ela concedeu à Folha:
    
Qual o balanço que a senhora faz desses 4 meses?
Tenho trabalhado bastante junto com nossa equipe. No dia da posse, foi colocado um relatório sobre a situação que receberíamos o Executivo, porém, quando demos início à nossa gestão, encontramos outro cenário. Foi uma situação difícil, pois os computadores haviam sido formatados; havia 195 servidores com uma féria vencida e mais de 30 que venceriam em janeiro. Reuni a equipe para fazermos o levantamento de como procederíamos. Fizemos uma seleção e negociamos com os funcionários. De lá para cá, temos tomado muito cuidado com a folha de pagamento, já que a receita oscila muito. Outro ponto que temos enfrentado no início da nossa gestão, e que tem preocupado, é o reajuste salarial, cuja reunião eu marquei em maio com o sindicato, e o pagamento de precatórios. Só para se ter uma ideia, na sexta-feira (28), chegou um documento em que devemos fazer o pagamento, em 15 dias, de R$ 254.900,38. Isso não esperávamos e teremos que quitar dentro do prazo.
    
Como está a situação financeira do município?
Eu fico preocupada quando se fala em parte financeira. Temos sonhos de executar melhorias no município e, por isso, venho recorrendo a São Paulo e Brasília em busca de recursos. Temos feito ainda um controle na folha de pagamento e com os gastos do Executivo. Temos um superávit, graças ao esforço e trabalho de nossa equipe desde que assumimos.
    
A senhora é casada com o ex-prefeito Arso João Varoni, que administrou Coroados por três mandatos. De que forma ele tem lhe ajudado a enfrentar as dificuldades em administrar uma cidade? E de que forma essa contribuição é bem-vinda?
Conversamos bastante e sempre tenho dito a ele a situação das receitas e despesas da Prefeitura. Ele sabe o meu anseio de ajudar a população e tem me ajudado neste sentido.
    
A senhora assumiu a Prefeitura com uma Câmara com um terço dos vereadores sendo do PT. Como é sua relação com eles? Seria de oposição?
Quando ocorreu a nossa posse, eles disseram que não obstruíram nada que fosse para o bem da cidade. Estou surpresa, pois há pouco tempo enviei projeto de lei ao Legislativo e os vereadores rejeitaram. O documento tinha por objetivo dar subvenção para uma creche, já que a unidade inaugurada recentemente está com problemas estruturais. Fizemos uma parceria com essa creche para que nos ajudasse a amparar essas crianças que, por enquanto, não podem ser colocadas na unidade, pois já notificamos a construtora para fazer os reparos. Apesar disso, posso garantir que não tenho problema algum com a Câmara. Por duas vezes marquei reunião com estes vereadores que, por alguns motivos, não ocorreu, mas posso garantir que as portas do meu gabinete estarão sempre abertas para o diálogo.
    
Um episódio até hoje não resolvido é a construção de uma nova sede para a Prefeitura, que foi incendiada em 2008. A senhora tem planos neste sentido?
Este caso é algo que até hoje existe uma interrogação muito grande sobre o que de fato aconteceu. Quem passou por ali sabe o que significava aquele prédio. Hoje ele funciona como almoxarifado e o Banco do Povo, sendo a Prefeitura instalada em outro prédio que, a princípio, funcionaria como uma maternidade, mas que, com o passar das administrações, os prefeitos foram vendo que a ideia inicial se tornaria inviável. Confesso que aqui não é o local correto para a Prefeitura estar, mas, infelizmente, na atual situação econômica e o baixo envio de recursos, eu não vejo, na minha administração, a possibilidade de construir uma nova sede.
    
Coroados manda muitos trabalhadores para Birigui, nas fábricas de calçados. Quais são os seus planos para a geração de empregos, de modo que essa mão de obra fique na cidade?
Não podemos desamparar a família. Quando o pai, a mãe e o filho têm um emprego, temos que colaborar para que permaneçam trabalhando. Temos algumas empresas passando por dificuldades e, neste mês, quero me reunir com os empresários locais para conversar sobre o que a Prefeitura pode colaborar, já que o índice de desemprego no País é algo que nos preocupa, pois atinge também o nosso município. De dez pessoas que vêm conversar comigo, nove pedem emprego. Diante disso, tenho fé em Deus que tudo se resolverá. Para isso, estamos trabalhando com dedicação.
    
O que a senhora estabeleceu como prioridade de sua gestão?
São tantas, mas diante da dificuldade que estamos enfrentando, quero manter os prédios públicos em ordem e fazer voltar a funcionar uma piscina que ficou sem manutenção na gestão passada. Estou batalhando para fazer a entrada do município na via Pedro Alves dos Reis (CRD 148), pois Coroados ficou sem uma ‘porta de entrada’, passando o município despercebido para quem trafega pela rodovia Marechal Rondon (SP-300). Além disso, tenho projetos sociais e na área da saúde a serem feitos na cidade, e a instalação de uma academia ao ar livre. A obra maior que tenho certeza que faremos é o investimento ao ser humano, e isso eu não perderei de vista.
    
O que a população pode esperar de sua administração?
Vou cumprir o que falei e podem esperar muito diálogo, trabalho e dedicação. Tenho fé em Deus, e Ele está comigo, de que nestes quatro anos farei o melhor possível para a nossa cidade. E todas as nossas ações serão dentro da legalidade.

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