Contradições na 'jovem' política

Prefeito combatia uso particular da máquina pública e vereador, a imoralidade administrativa

A denúncia de que um caminhão-pipa da Prefeitura de Birigui teria sido usado para abastecer piscina de um clube particular pertencente ao pai do vereador Fabiano Amadeu (PPS), cai como uma ducha de água fria para quem acreditava que o parlamentar representava a nova política. 

A prática ilustra nada mais do que a utilização de bem público para fins particulares, o que pode resultar em condenação aos envolvidos, se o fato for levado à esfera judicial. Trata-se de um caso clássico de imoralidade administrativa e de violação à legislação, típico daqueles que estão há tempos no poder e acostumados a se servir da política e, não, utilizá-la para servir à população.

Amadeu tem 33 anos de idade. Antes de se eleger para uma das 17 cadeiras da Câmara de Birigui, com 665 votos, na eleição municipal do ano passado, ficou conhecido no meio político local pelo blog “Pô Birigui”, em que criticava justamente os desmandos da administração pública, seja no poder Executivo ou no Legislativo.

Diante da repercussão negativa que o episódio da piscina teve nas redes sociais ao longo do último fim de semana, Amadeu usou sua página no Facebook para prestar esclarecimentos. Disse que seu pai não mora com sua mãe. Alegou que ele e o prefeito Cristiano Salmeirão (PTB), de quem é aliado político, não tiveram participação no pedido de abastecimento. Logo, o chefe do Executivo determinou a abertura de sindicância, o que resultou na demissão do secretário municipal de Serviços Públicos, Água e Esgoto, Eldir Paulo Scarpim.

A polêmica, portanto, serve de alerta também para a gestão de Salmeirão. Afinal, enquanto vereador, o atual chefe do Executivo se colocava como uma figura combativa do uso da máquina pública em benefício particular, prática que causou vários desgastes ao governo de seu principal desafeto político, o ex-prefeito Wilson Borini (DEM).
Amadeu, por sua vez, se quiser levar adiante a bandeira da renovação política, terá que seguir a linha da coerência.

Ora, não é demais lembrar que o mesmo vereador, no ano passado, organizou abaixo-assinado contra proposta de aumento de 38% no salário dos parlamentares; neste ano, porém, estando vereador, ajudou a aprovar projeto que criou 18 cargos comissionados na estrutura do Legislativo. Agora, três meses após pedir a cassação do vereador José Fermino Grosso (DEM) por quebra de decoro parlamentar, cuja CP (Comissão Processante) foi embargada pela Justiça, o jovem edil vê seu nome envolvido em polêmica.

O caso da piscina pode, dessa forma, parecer pequeno diante de tantos episódios que, diuturnamente, ilustram o mau uso do dinheiro público, mas serve para deixar a população atenta àqueles que se colocam como novos tanto na Prefeitura como na Câmara.

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