Contra a própria imagem

É decepcionante para a população ver suas figuras públicas em tamanho descrédito

Em menos de uma semana, a Câmara de Andradina mostrou porque a classe política anda tão desprestigiada no Brasil. No fim de semana passado, o presidente do Legislativo, Raimundo Justino de Souza (Patriotas), foi preso e depois, liberado. Na última segunda-feira, o vereador Mário Henrique Cardoso, o Mário Gay (PPS), protagonizou cenas lamentáveis ao ameaçar jornalistas.

Um dos profissionais de imprensa agredidos pelo parlamentar pepeessista, Moisés Eustáquio Oliveira. do Impacto On-line, classificou, em entrevista à Folha da Região, a eleição de Mário Gay como algo resultante de “voto de protesto” no pleito de 2016. Se ele está certo ou errado, não importa. Fato é que uma cara nova naquela que é uma das maiores casas legislativas da região foi responsável por trazer uma das tantas práticas mais abomináveis da política: o autoritarismo.

Tudo aconteceu por causa do registro que os repórteres faziam de uma discussão do vereador com um casal desafeto. Não foi à toa que a repórter Luana Carolina Carvalho Marcante, do Jornal da Região, registrou queixa na polícia contra o representante do PPS. Enquanto filmava a confusão, ela teria sido ameaçada de morte pelo vereador, o que, segundo ela, já aconteceu em outra ocasiões.

Quanto ao presidente da Câmara, pesa acusação de fraude em licitação para fornecimento de monitores escolares em São Joaquim da Barra (SP). Em entrevista a este jornal na última quinta-feira, Justino minimizou a denúncia, negando, inclusive, a prisão. Para ele, o ocorrido não passa de “uma formiguinha, que pode acontecer em qualquer processo licitatório”. Enfim, assim como Mário Gay, Justino está envolvido em outra questão abominável na política: denúncia de corrupção.

Apesar de cenas desse tipo todos os dias estamparem manchetes do noticiário nacional, decepcionante é para a população dos municípios ver suas figuras públicas em tamanho descrédito. Chamar pessoas que agem assim de representantes do povo é algo a se repensar. Como classificar dessa forma vereadores que estão preocupados em levar vantagem com dinheiro público? Ou, então, favoráveis à violência como solução para conflitos? 

O melhor a se dizer, neste espaço, seria a orientação para o voto consciente por parte da população. Mas, mesmo assim, seria necessário acreditar que ainda pode haver políticos preocupados com o bem-estar da população. De fato, há. Porém, após o “voto de protesto” de 2016, fica claro que nada mudou. Por isso, pelo menos em Andradina, é necessário que, na próxima eleição, o eleitorado faça uma “faxina” no Legislativo.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.388919

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