Ciladas ao volante

É preciso atacar todas as frentes para garantir trânsito mais seguro

Chuva, buracos, asfalto deteriorado, alta velocidade, celular e imprudência. Estes são alguns dos principais causadores de acidentes de trânsito, em geral. Infelizmente, se aliarmos esses fatores à direção de uma motocicleta, as chances de que ocorram fatalidades aumentam, e muito. 

Birigui, por exemplo, está dentro desta estatística. As motocicletas foram a maior causa de morte no trânsito da cidade nos últimos três anos, com 18 mortes. Entre janeiro e outubro do ano passado, dos 16 acidentes no trânsito local, cinco foram com motociclistas. Em apenas cinco dias, entre 27 de dezembro de 2017 e 1º de janeiro, foram três óbitos.

As fatalidades ocorrem, geralmente, por excesso de velocidade, segundo relatos de motoristas. Aliás, o que se vê no trânsito, na maior parte do tempo, são motoqueiros “voando” pelas ruas, sem prestarem atenção aos perigos. “Costuram” entre os carros, não dão seta, passam em sinal vermelho, andam com excesso de velocidade e não se atentam às regras básicas de direção defensiva. Qual seria a principal causa de tamanha inconsequência?

Motoristas mal preparados, que estão sempre “com pressa”? Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil é o quinto país no ranking com o maior número de mortes no trânsito. Os acidentes são os principais responsáveis por mortes que ocorrem entre os 15 e os 29 anos de idade; o segundo, dos 5 aos 14 anos; e o terceiro para quem está na faixa dos 30 a 44 anos. Isto representa um custo de US$ 518 bilhões por ano ou um percentual entre 1% e 3% do PIB (Produto Interno Bruto) de cada país. Além das inúmeras famílias dilaceradas, os prejuízos para os cofres públicos são imensos. 

Fato é que faltam consciência, preparo, mudanças nas leis de trânsito para propiciar melhores condições aos motoristas e um aprendizado mais consistente. No exterior, há países nos quais os aqui chamados menores, com 15 anos, já possuem sua permissão para dirigir, desde que sempre estejam acompanhados de um adulto, habilitado já há um determinado período de tempo. Esse “treinamento” supervisionado pode ajudar a criar a consciência do que precisam os motoristas: o traquejo de que os recém-egressos de uma autoescola, por exemplo, demoram para adquirir e evitar que muitos jovens percam suas vidas no trânsito. 

Os problemas nesta área vão muito além do beber e dirigir. Muitas vezes, a própria imprudência vem de um motorista são, que estava simplesmente atrasado para o trabalho, por exemplo. Direção de veículo automotor não combina com pressa, com falta de atenção, falta de infraestrutura nas vias ou com bebida. Então, é preciso atacar todas as frentes para garantir um trânsito mais seguro. 

Enquanto não houver ações efetivas para proporcionar um melhor preparo aos motoristas, garantindo também vias em condições de tráfego, um melhor serviço de transporte público e muita educação e conscientização, infelizmente, estar no trânsito continuará a ser um dos maiores riscos para os seres humanos.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.382385

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