Giaretta reclama da falta de incentivo no País e também no Interior, onde as apresentações são limitadas

Biriguiense, Eder Giaretta se apresenta com o Quarteto Rapsódia

Apresentação será no Sesc Birigui, na próxima sexta e terá Danilo Caymmi como convidado

Eder Giaretta, de 36 anos, começou sua carreira aos seis anos, estudando música em Birigui. Ganhou o mundo atrás dos teclados e agora retorna aos palcos de sua cidade natal para se apresentar junto de outro músico importante. Em show no Teatro do Sesc Birigui, na próxima sexta-feira (5), às 20h30, o pianista demonstra com seu grupo instrumental, o “Quarteto Rapsódia” a versatilidade de articular os mundos da música popular e erudita, convidando Danilo Caymmi.

O projeto mescla padrões da escrita erudita, explorando a liberdade característica do jazz e da improvisação. Haverá ainda a participação do violonista Davi Mello, que acompanha Danilo em suas apresentações. “Vamos trazer o repertório que mescla música erudita e jazz”, explica o pianista.

Giaretta conta que “esses dois mundos são articulados de diferentes maneiras. Uma característica interessante de fazer esse jogo musical é que eles trazem uma mágica especial”.

O repertório contará com músicas como “Andança”, “O Bem e o Mal” e “Maracangalha”, interpretadas por Danilo, além de composições instrumentais como “Pretensioso” (de Edmundo Villani-Côrtes), “Tico-tico no fubá” (Zequinha de Abreu) e “Suíte n° 2 para Flauta & Jazz Piano Trio” (de Claude Bolling), entre outras.
O “Quarteto Rapsódia” é formado por Eder Giaretta (piano), Fernando Barbosa (baixo), Anselmo Pereira (flauta) e Osvaldo Martins (bateria), foi fundado há quatro anos e tem como objetivo apresentar um trabalho com novidade estética, propondo uma eclética mistura de elegância barroca e ritmos modernos.

REFERÊNCIAS
O biriguiense formou-se em piano erudito, piano popular e regência instrumental pelo Conservatório de Tatuí, e é mestre em música pela Unesp (Universidade Estadual Paulista). Nos seus 30 anos de atuação já se apresentou na Alemanha e na França. Recentemente, trabalhou nas gravações da filmebiografia “João, o Maestro”, como dublê das mãos do maestro João Carlos Martins, que estreou em agosto de 2017. Em 2016, foi solista na Sala São Paulo.

O pianista tem em suas referências musicais Nelson Freire, Martha Argerich, Helene Grimaud, Evgeny Kissin, Egberto Gismonti, Keith Jarrett, Chick Corea e Michel Camilo. “Gosto de tudo que é bom. Recentemente fiz um trabalho com o Alok. Desde que haja qualidade, a gente está a serviço da musica e atrás de um trabalho de referência”, define.

“Tenho minhas preferências, priorizo a música brasileira, gosto do choro, da bossa nova, do samba. O que mais ouço na verdade é musica erudita, que me trouxe maior projeção. Colocou-me em evidencia como pianista, intérprete. Eu ouço e tenho a música erudita como presente na minha vida”, destaca Giaretta.

MÚSICA
Instigado sobre o atual cenário da música erudita no País, o pianista se mostra descontente. “Já tive o privilégio de tocar e estudar no exterior. É uma disparidade enorme. Temos um grande cânion de distância entre Brasil, Europa e Estados Unidos. Lá, a música tem um valor muito maior, uma reconhecimento muito grande, os músicos são muito mais valorizados, tem salários altos”, conta Giaretta, que também ressalta a infraestrutura perfeita nos locais de apresentação.

“No Brasil, a orquestra está acabando. O cenário é horrível, triste, vergonhoso. Um Estado que não reconhece a necessidade de se fazer cultura. Não há um trabalho para atrair público e músicos”, crítica.

Nesse quesito, Giaretta reclama da falta de incentivo também no interior, onde as apresentações são limitadas e, quando acontecem, são por intermédio das capitais. “São raras as vezes que o interior nos convida e fazer alguma coisa no meio erudito, porque o acesso a esse estilo é escasso. Os amigos que querem me ver tocar eu mando viajarem a São Paulo ou cidades maiores”, comenta.

A falta de incentivo, porém, não impede que novos nomes se destaquem no meio erudito. Giaretta analisa que “quando a gente descobre uma coisa em nós e quer que seja desenvolvida, eu acho que elas naturalmente vão acontecendo ao redor. Uma pessoa vê aqui, outra ali, e vão comentando e investindo nela. Não necessariamente com dinheiro, mas com conhecimento”.

Após isso, o pianista acredita que essas pessoas acabam se destacando e se descobrindo como artista. “Isso pode acontecer ainda mais com o advento da internet. Ela possibilita um monte de lixo, mas pode ser usada a nosso favor. Eles podem assistir uma apresentação que encanta e aí nasce uma força interior que faça correr atrás e virar um talento realmente”, finaliza.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.381778

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