Entre o papel e o digital: diversas atividades vão comemorar a data

Biblioteca faz 51 anos e estimula uso da tecnologia

Canais digitais são utilizados para divulgação de ações

Nas últimas cinco décadas, a leitura foi uma das atividades humanas modificadas pelas possibilidades dos avanços tecnológicos. Se na década de 1960, o livro, o jornal, e as revistas eram as plataformas de onde leitores absorviam informações e estórias escritas, hoje o consumo de textos envolve também computadores, smartphones, tablets, além de e-readers, como o Kindle e o Lev. 

Prestes a comemorar 51 anos, a Biblioteca Pública Municipal “Dr. Nilo Peçanha”, de Birigui, não apenas possui um tempo de existência que acompanha a linha do tempo dessa evolução da leitura: atividades e ferramentas atuais desenvolvidas no espaço cultural fundado em 14 de abril de 1966 buscam aliar os meios tradicionais e as novas mídias, como explica o coordenador de biblioteca, Paulo Bernardes. 

SUPORTES
“Nós encaramos a tecnologia como mais uma ferramenta para a promoção e incentivo à leitura e acesso a informação, dentre a todos os outros suportes da biblioteca”, afirma. Um dos exemplos dados pelo coordenador é o programa Lê no Ninho realizado no espaço. 

O objetivo da iniciativa é estimular a leitura e os vínculos afetivos com um público-alvo formado por desde bebês de seis meses, crianças de quatro anos, até seus pais ou cuidadores. Nas atividades, a equipe da biblioteca utiliza tablets para inspirar o acesso à leitura e transmitir instruções quanto ao uso adequado dessas plataformas. Há experiências também com livros, brinquedos e outros itens lúdicos. 

Outra estratégia aplicada para atrair uma geração de leitores sempre conectada à internet é a utilização de canais digitais para divulgação de ações. Segundo Bernardes, a equipe criou em janeiro deste ano a página “Biblioteca Municipal de Birigui” no Facebook para publicar a agenda de eventos da instituição, imagens de atividades realizadas e fotografias históricas presentes no próprio acervo. “É uma forma de interagir bem com esse público”, explica Bernardes.

A biblioteca de Birigui também disponibiliza portal que permite a qualquer pessoa acessar dados do acervo pela internet, o que inclui a consulta a livros por meio de autor, título, assunto e palavras-chaves. Pelo site http://birigui.bnweb.org, o usuário pode sugerir novas aquisições, ver o perfil estatístico do acervo e, se for cadastrado, pode reservar, renovar livros e acessar o histórico de seus empréstimos. 

READEQUAÇÃO
Bernardes relembra que há quatro anos, o órgão sociocultural de Birigui aderiu ao modelo chamado biblioteca viva, o que resultou na readequação de sua estrutura física, com criação de áreas temáticas como a cinemateca e o espaço lúdico. A revitalização foi concluída em agosto de 2014.

A biblioteca foi oficializada por meio da lei n° 723 e criada a partir de uma doação feita pela Loja Maçônica “Paz e Progresso”. O nome “Nilo Peçanha” foi escolhido para homenagear o sétimo presidente do Brasil (com mandato de junho de 1909 a novembro de 1910), que era maçom. No início, o acervo ficava na própria loja maçônica, depois passou para um prédio na rua Roberto Clark, foi transferida para a Casa de Cultura “Cristina Calixto” e depois para a rua João Galo. Desde 2012, a biblioteca de Birigui está instalada na rua Pedro de Toledo, 73, no centro da cidade.

Hoje o espaço conta com mais de 70 mil livros, que, seguindo a Classificação Decimal de Dewey, são divididos em classes do conhecimento humano, como literatura, linguística, ciências sociais, ciências puras, ciências aplicadas, filosofia, sociologia, história, geografia, religião, artes e por suas subdivisões. A biblioteca mantém também um acervo histórico com fotos e documentos que podem ser consultados para trabalhos acadêmicos e escolares. 

Bernardes conta que o maior público é composto por leitores das faixas etárias infantil e infanto-juvenil, acompanhados de instituições educativas, pais e cuidadores. A cada mês, cerca de 2 mil pessoas passam pelo local para emprestar livros, estudar ou participar de atividades especiais, conforme o coordenador.


Reestruturação permite ações permanentes

A reestruturação do local nos últimos anos permite a fomentação de ações permanentes, como o Flibi (Festival Literário de Birigui), realizado anualmente com aproximadamente 60 atividades por edição para incentivar a leitura e a literatura; o projeto EncontAção com duas sessões semanais no espaço lúdico, no qual membros da equipe utilizam recursos da literatura oral para despertar o interesse dos participantes a ir à biblioteca e a desenvolverem a sua criatividade; e o programa BiblioPOP, destinado ao atendimento a populações em situação de rua com ações desenvolvidas às sextas-feiras. 

A lista inclui ainda o Café Cultural, um encontro promovido em parceria com a Apan (Associação dos Psicólogos da Alta Noroeste Paulista) na manhã do segundo sábado de cada mês como um momento de diálogos, palestras e debates, com autores e personalidades da região, acompanhado de um café; o programa Lê no Ninho; o programa Ponto MIS, em parceria com o Museu da Imagem e do Som, que visa a circulação e difusão de obras audiovisuais com exibições e oficinas. 

A biblioteca participa também do programa Acessa São Paulo, do governo estadual, voltado para a inclusão digital, oferecendo acesso à internet por meio de 10 computadores gratuitamente à população, do projeto Agenda Cidadã que tem como premissa disseminar informações e promover a aproximação com a rede de serviços públicos existentes ao redor da biblioteca, apoiando-se no desenvolvimento sociocultural da comunidade; o programa estadual Viagem Literária por meio do qual autores e contadores de história realizam palestras oficinas e bate-papos na biblioteca; além do Empréstimo Acessível, que permite a pessoas com dificuldades de locomoção pedir livros e periódicos por telefone. 

A instituição também possibilita o desenvolvimento de pontos itinerantes de doação e troca de livros por meio dos projetos Biblioteca Livre e da Gelateca.

LINK CURTO: http://tinyurl.com/lv62yvj