Prefeito interino de Penápolis, Rubens Bertolini responde a críticas e destaca o que fez em três meses

Bertolini não esconde: quer continuar prefeito

Interino, diz que trabalha para conquistar o cargo

Após ser eleito presidente da Câmara e, automaticamente, assumir a Prefeitura de Penápolis interinamente, o advogado Rubens de Médici Ito Bertolini (SD) não esconde o desejo de continuar seu trabalho à frente do Executivo caso haja novas eleições. Reeleito no pleito do ano passado, Célio de Oliveira (PSDB) teve o registro de candidatura cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ficou impedido de assumir o posto.

Apesar de não se declarar pré-candidato, Bertolini, em entrevista na manhã de sexta-feira (7), em seu gabinete, disse que “está trabalhando para isso”. Entre os projetos, o prefeito interino afirmou que pretende se reunir com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), na capital paulista, para tratar da instalação do AME Cirúrgico para a cidade. 

Sobre a eleição para Mesa Diretora do Legislativo, ocorrida em janeiro, garante que não houve “traição” por parte dele e do presidente em exercício, Evandro Tervedo Novaes (DEM). Bertolini disputou a Prefeitura em 2012 e ficou em terceiro lugar na disputa, com 2.436 votos. Confira trechos da entrevista que ele concedeu à Folha:
    
Como está sendo ocupar um cargo público como este, mesmo sabendo ser interino?
Posso dizer que é um novo desafio que estou tendo. Ocupo este cargo com muita responsabilidade para administrar, com muito planejamento para o município, além de servir à população.
    
Qual é o balanço que o senhor faz dos três primeiros meses de governo?
Por não termos tido um período de transição, assim que assumimos o Executivo, encontramos alguns problemas que já superamos nesses três meses de governo. Fizemos algumas mudanças. Conseguirmos quitar as dívidas de 2016 e diminuir despesas com alguns aluguéis, o que proporcionará economia aos cofres públicos. Além disso, conquistamos diversos recursos, como emendas parlamentares para recapeamento asfáltico, que chegam a aproximadamente R$ 1,5 milhão em verbas federais, e a vinda de 40 estudantes de medicina que ficarão por um ano, passando por um estágio no pronto-socorro e na Santa Casa, o que contribuirá para que o atendimento melhore a cada dia. Por isso, quero agradecer à equipe que está comigo e que não tem medido esforços para obter estes resultados, bem como os vereadores.
    
Como o município está trabalhando para sanar as dívidas? Estão em quanto?
Quando assumimos o governo, encontramos R$ 5 milhões em dívidas que não eram pagas desde abril do ano passado e, graças ao esforço da nossa equipe, conseguimos quitar. O que temos agora são as pendências deste ano e que estão sendo pagas conforme um cronograma. É claro que fizemos alguns ajustes que têm contribuído para a economia de recursos, como a redução de quatro secretarias e o corte de horas extras. Para se ter uma ideia, no ano passado, a Prefeitura pagou R$ 4 milhões somente em horas extras, o que é um valor muito alto. Continuamos tomando algumas medidas de contenção de despesas. Apesar de ser pouco tempo, já conseguimos resultados satisfatórios.
    
Uma grande conquista que está por vir para a cidade é a faculdade de medicina. De que forma o município vai contribuir para esta implantação?
Não tenha dúvida que o curso de medicina trará inúmeros benefícios para a cidade, e só temos que parabenizar a Funepe (Fundação Educacional de Penápolis) pela conquista. O poder público, neste sentido, já está buscando uma parceria com o Ministério da Educação para viabilizar a construção do campus, cujo investimento será de R$ 30 milhões. Além disso, já estamos elaborando projetos para atrair e fortalecer empresas hoteleiras e gastronômicas para atender estes estudantes que residirão na cidade.
    
Criou-se uma “disputa” entre Penápolis, Araçatuba e Birigui por um AME Cirúrgico junto ao Estado. O senhor acredita que Penápolis possa ser contemplada?
A vinda do ambulatório é uma questão que vem sendo discutida desde o ano passado e nós estamos empenhados para a instalação da unidade. Tecnicamente e estrategicamente, Penápolis é um ponto ideal para o AME Cirúrgico, já que temos consórcios na área da saúde que não são servidos pelo ambulatório de Araçatuba. Outro fator que beneficiaria a cidade é a redução da despesa que a Prefeitura teria de transportar os pacientes para outros centros de referências, além de desafogar a unidade de Araçatuba. Estamos agendando uma audiência com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo, para tratar do assunto e contamos com o apoio de todos os vereadores de Penápolis e das cidades que compõem a microrregião. 
    
Ainda na saúde, um problema tem sido a falta de remédios nos postos do município. O que tem sido feito para resolver?
Por termos dívidas com fornecedores desde abril do ano passado, perdemos o “crédito” para comprar medicamentos, o que gerou um atraso para a aquisição. Nosso alvo é a saúde e, para isso, estamos fazendo um trabalho para buscar alternativas para regularizar a situação. Já melhoramos neste sentido, mas estamos trabalhando para que esta situação não se repita.
    
Muitos adversários falaram em traição na eleição para a presidência da Câmara, que terminou com sua vitória, tornando-o, automaticamente, prefeito da cidade. Qual a resposta que o senhor dá a estas críticas?
A forma como eles colocaram a palavra “traição” foi muito infeliz, pois isso não ocorreu em momento algum e causou um mal-estar na população. Desde o início e, por vivermos em uma democracia, me coloquei como candidato à presidência da Câmara, assim como outros vereadores fizeram. Não escondo que fiz parte do grupo político que reelegeu o ex-prefeito mas, a partir do momento em que ele foi cassado, esse grupo de desfez. Eu não mudei minha conduta e conquistei os votos necessários para ser eleito presidente do Legislativo, tendo, inclusive, o apoio de vereadores que faziam parte de outro grupo. Hoje isso já foi superado, pois temos uma harmonia entre os 13 vereadores. A resposta que dou às críticas é o trabalho que estou fazendo em prol da população penapolense.
    
O senhor se considera pré-candidato à Prefeitura, caso haja novas eleições? Já tem um plano de governo preparado para quatro anos? Afinal, a instabilidade política preocupa a população.
Não escondo meu desejo de continuar à frente da Prefeitura e, para isso, estamos trabalhando. É claro que vamos aguardar a decisão da Justiça e, caso seja determinado que ocorram novas eleições na cidade, pretenderemos dar seguimento ao trabalho que estamos fazendo no Executivo.

VEJA AQUI TODAS AS REPORTAGENS DA SÉRIE
'SUA CIDADE EM DISCUSSÃO'



LINK CURTO: http://tinyurl.com/kjhkrzm