Unidade de saúde é gerida pela Prefeitura e OS Santa Casa de Misericórdia de Birigui desde janeiro

Bebê de 1 ano morre após cinco idas a pronto-socorro

Família afirma que criança apresentou vômito e febre na terça-feira passada

A Polícia Civil investiga a morte de um menino de 1 ano (completado no dia 9 de fevereiro) ocorrida na noite de domingo (18), no pronto-socorro municipal de Penápolis. Um boletim de ocorrência foi registrado como morte suspeita.

A família reclama de negligência no atendimento que o bebê recebeu da equipe médica e pede justiça. O PS é gerido desde janeiro em cogestão entre Prefeitura e OS (Organização Social) Santa Casa de Misericórdia de Birigui. 

Cléber Ricardo Teixeira, de 36 anos, avô da criança, disse que a morte do neto foi a segunda em menos de três anos. "Perdi um filho de dois anos pela mesma negligência no pronto-socorro e, na época, permaneci calado. Agora, não vou deixar quieto. Irei até o fim", disse.

Nathaly Regina dos Santos, de 21 anos, tia do bebê, contou que desde terça-feira passada (13), a criança, que sofria de hipotireoidismo, apresentou vômito e febre. "Levamos ele ao PS, onde o médico passou um remédio e deu alta, dizendo que não era nada demais", disse.

A jovem explicou que, mesmo com o medicamento prescrito pelo profissional, a febre não baixou e, na tarde de sexta-feira (16), por volta das 16h, retornaram à unidade de saúde. "Outro médico nos atendeu e disse que ele estava com dor de garganta, passando um novo remédio. Assim como o anterior, não solicitando nenhum exame e deu alta para ir embora", destacou.

EXAMES
Quatro horas depois e com 39ºC de febre, a família levou, pela terceira vez, o menino ao pronto-socorro. "Deram uma injeção para baixar a febre e, novamente, mandaram para casa", ressaltou Nathaly. 

No sábado (17), a criança não apresentou melhoras e, por volta das 14h, a família voltou ao PS em busca de ajuda. "Ele ficou em observação até às 7h de domingo (18), quando pediram exames e raio X. Porém, o médico disse que não havia nada anormal nos resultados e que isso poderia ser em virtude do nascimento de alguns dentes."

No período da tarde, às 14h30, o bebê passou a ter convulsões e, pela quinta vez, a família o levou à unidade. "Só então a equipe sugeriu a transferência dele para Araçatuba, no entanto uma médica disse que não era necessário. A situação foi se agravando e, por volta das 20h30, decidiram encaminhá-lo para Araçatuba. Ele não resistiu e morreu no meio trajeto. Tentaram reanimá-lo, mas não deu", contou a tia.

JUSTIÇA
A jovem frisou que o menino era a alegria da família. "Nós queremos punição e justiça. Só queremos que eles enxerguem o erro que fizeram e que poderia ser alguém da família deles. Não dói neles, dói na gente. Infelizmente meu sobrinho não está mais aqui", desabafou. 

O avô reforçou que a família entrará com uma ação na Justiça pedindo providências. "A gente não quer dinheiro, não quer nada. Queremos que isso não aconteça mais", finalizou.

INQUÉRITO
A delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Maria Salete Cavestré Tondatto, disse que já foi instaurado inquérito para apurar o caso. "Vamos ouvir os familiares, a equipe médica e funcionários do pronto-socorro para buscar informações sobre o atendimento feito a criança", disse. Ela informa que solicitará o prontuário médico do menino. "Aguardaremos o resultado do laudo do IML (Instituto Médico Legal) para darmos sequência as investigações", destacou.

Em nota, a Prefeitura informou que o pronto-socorro "realizou todos os exames solicitados pelos médicos que atenderam o paciente, entre eles, exames laboratoriais e de imagem" e que a Secretaria Municipal de Saúde abriu sindicância para apurar o caso. "Lamentamos o ocorrido e prestamos nossas condolências aos familiares e amigos", disse.


Vereador fala em negligência e chama caso de ‘assassinato’

A morte do bebê teve grande repercussão na sessão da Câmara da última segunda-feira (19). O fato gerou reclamações ao pronto-socorro e discussão sobre a administração da unidade pela Santa Casa de Birigui. 

O vereador Júlio César Caetano (PSD) afirmou que houve negligência médica e classificou a situação como assassinato. 
Carlos Alberto Soares da Silva (PPS) pediu cuidado para não haver utilização da morte da criança para distorções sobre a viabilidade de parceria com o hospital. Segundo ele, o atendimento ocorreu por profissionais que trabalhavam no PS anteriormente às mudanças.

O parlamentar Reginaldo Sacomani (DEM) discursou em defesa da humanização do atendimento na saúde. Francisco José Mendes, o Tiquinho (PSDB) criticou a qualidade de grande parte dos cursos de medicina no País e apoiou apuração do atendimento da criança. 

O vereador Evandro Tervedo Novaes (DEM) falou pela criação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigação do caso por meio do Legislativo. Ester Sezalpino Mioto (PSD) lembrou de dificuldades que também já passou no atendimento na área da saúde na cidade.

Adalgiso do Nascimento, o Ziza (PMDB) manifestou solidariedade à família da criança e disse que o fato deve ser aproveitado para avanços. 

QUALIFICAÇÃO
Ivan Sammarco (PPS) defendeu exigência de qualificações específicas para médicos no PS e Rodolfo Valadão Ambrósio (PSD) questionou a não disponibilização de pediatra na unidade.

O presidente da Câmara, Rubinho Bertolini (SD), afirmou que ajustes devem ser feitos urgentemente no pronto-socorro e o parlamentar Bruno Marcos Araújo dos Santos (PSD) ressaltou que a morte do menino não pode 'passar em branco' e que o momento demanda ainda mais união em prol da saúde pública. IA

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