Aclamada companhia de dança paulistana traz poesia de um dos mais célebres compositores brasileiros aos palcos

Ary Barroso por Ballet Stagium

Espetáculo 'O canto da minha terra' será apresentado no Sesc Birigui

A maneira como o Brasil é conhecido em todo o mundo, tem, de algum modo, relação com a canção Aquarela do Brasil, de Ary Barroso. Os versos "O Brasil, samba que dá / Bamboleio, que faz gingar / O Brasil do meu amor / Terra de Nosso Senhor" são conhecidos em todos os cantos do globo e, basta uma breve pesquisa na internet, que se encontra a célebre canção entoada por diversos ícones da música internacional.

Com todo esse potencial musical e de gingado, o Ballet Stagium, sob a direção de Márika Gidali e coreografia de Décio Otero, apresenta o espetáculo "O Canto da Minha Terra", atração deste sábado (27), no Sesc Birigui. Por meio da dança, a montagem explora toda a poesia que ecoa no universo sonoro de Ary Barroso. 

Mineiro de Ubá que se desdobrou em várias atividades e em todas deixou as marcas de sua essência combativa, Ary Barroso foi popular por seus sambas-exaltação, sendo o mais famoso deles a canção acima citada. Outras canções rememoradas no espetáculo são "Na Baixela do Sapateiro", "Tabuleiro da baiana" e "Os Quindins de Yayá".

A companhia também estabelece uma ponte entre o trabalho de Barroso e outros ícones nacionais, como Luis Gonzaga, Elis Regina, Milton Nascimento e Chico Buarque.
Criado em 2015, o espetáculo "O canto da minha terra" transita entre o particular e o universal, trazendo a união de artistas da cidade mineira de Ubá, (músico, coreografo e cantoras) propondo um mergulho na constituição da nossa identidade.

A realização da apresentação também foi a forma encontrada pelo Ballet Stagium de adentrar nas comemorações de seus 45 anos de existência (celebrado em 2015), em constante transito entre tradição e ruptura, estabelecendo uma estética própria e uma linguagem que propõe a refletir o Brasil em sua complexidade social, histórica e cultural.

HISTÓRIA
Criado em 1971, Ballet Stagium desenvolve produções adaptáveis aos mais diversos tipos de espaços. Foi uma das primeiras companhias nacionais a utilizar trilha sonora da MPB em seus espetáculos (Pixinguinha, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Lamartine Babo e Cartola são alguns dos músicos trabalhados). Além disso, vários compositores criaram partituras originais para o grupo, entre eles: Milton Nascimento, (Missa dos Quilombos), Egberto Gismonti (Pantanal), André Abujamra (Shamain) e outros.

Em dezembro de 2017, a Cia. esteve em Araçatuba no "Dança Araçatuba", realizado pela Prefeitura e Secretaria Municipal de Cultura. Na ocasião foram apresentadas as performances "Memórias" e "Preludiando".

INÍCIO
Desde o começo, o grupo mostra estética e linguagem inovadoras, unindo o espetáculo da dança com a realidade nacional, fruto de viagens pelo Brasil. Reunindo uma série de programas didáticos sobre as diversas vertentes da dança para a TV Cultura, os idealizadores deram início à companhia. Dessa forma, criaram um repertório não só artístico, mas social e pedagógico, misturando vertentes universais da dança com aspectos tipicamente brasileiros.

As produções da Companhia sempre se adaptaram aos diferentes espaços, cenários e contextos possíveis: pátios de escolas públicas, favelas, cinemas, praças, hospitais, igrejas, presídios, estações de metrô, praias e rios, palcos flutuantes, chão de terra batido e desfiles de escolas de samba.

Os locais mais inóspitos se transformaram em palco para as magníficas apresentações. O palco se transformou em sala de aula, quando a Companhia inovou ao realizar aula-aberta à plateia antes de cada apresentação. Dessa forma, a sala de aula se tornou laboratório para a criação da arte.

A Companhia e a Academia funcionam, desde 1974, num grande estúdio na Rua Augusta, na cidade de São Paulo, onde desenvolvem não só a prática e o ensino da dança, mas um programa de pesquisa em várias linguagens da dança, ideias e produções inovadoras. As inovações do Ballet Stagium vão além da linguagem contemporânea.

SOCIAL
Até hoje a Cia. mantém diversos projetos utilizando a dança como forma de integração social, destacando-se: Dança do Serviço da Educação, Projeto Escola Aberta, Projeto Professor Criativo, Projeto Capoeira, Projeto Joaninha, Projeto Dança de Rua e Projeto Capoeira (estes dois últimos nas unidades da antiga Febem).

Nos mais de 47 anos de atividade, eles se destacam pelo trabalho e dedicação dos diretores Márika Gidali e Décio Otero, além de diversos artistas e colaboradores, fazendo do Ballet Stagium uma das maiores referências para a cultura nacional.
A diretora da companhia conta que o espetáculo "nasceu da nostalgia dos ubaenses do grupo. Ficou uma coisa muito emocional, de resgatar essas músicas do Ary. Além de ser fantástico colocar essas musicas a serviço da dança".

"Tudo nesse espetáculo é maravilhoso. A coreografia, as duas cantoras fantásticas, que alias, tiveram contato direto com o Ary Barroso. É uma produção que tem a parte histórica muito forte, além da parte artística", revela Marika.

Sobre o movimento artístico, principalmente os que são voltados a dança, Marika enfatiza que "estão fortíssimos" e destaca o fato de que nas cidades do interior, até mesmo nas menores, "sempre tem um grupo de dança". "A dança está fervilhando. Vamos precisar aprender a lidar com isso. Atualmente temos os editais, os patrocínios, o Sesc, os circuitos. Tudo isso possibilita essas apresentações", finaliza.

SERVIÇO
O Canto da Minha Terra, com Ballet Stagium
Dia 27, sábado, 17h. Teatro. Grátis. Livre.
Retirada de convites com 
1 hora de antecedência.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.385784

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