Inaugurada em 2008 pelo grupo Equipav, unidade tem capacidade para moer 4 milhões de toneladas de cana por safra

Após dispensa, usina em Brejo Alegre demite 400 trabalhadores

Na próxima safra apenas a unidade do grupo irá operar

Uma semana após orientar os funcionários da área industrial a ficarem em casa por tempo indeterminado, de forma remunerada, a usina de açúcar e álcool Revati, em Brejo Alegre (a 44 km de Araçatuba), convocou esses trabalhadores para rescindir os contratos de trabalho. Sem dinheiro para pagar as verbas indenizatórias, a direção propôs parcelar os pagamentos em até oito meses, com o primeiro pagamento em maio de 2018.

Conforme matéria publicada pela Folha da Região, a ordem para que os funcionários permanecessem em casa foi feita na sexta-feira (17). Como dia 20 foi feriado, desde o dia 21 eles aguardavam uma nova posição da empresa. Segundo o que foi informado à reportagem, na madrugada de ontem os funcionários foram convocados a comparecer na unidade de Promissão para assinar a rescisão dos contratos, pois a Revati não vai operar na próxima safra.

Com o desligamento, a empresa propôs parcelar as verbas indenizatórias, incluindo o 13º salário, e o pagamento do salário de novembro, a ser pago em dezembro, em oito vezes, com o primeiro pagamento em maio de 2018.

O presidente do Sindalco (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria e Fabricação de Álcool) em Araçatuba, José Roberto da Cunha, informou que está acompanhando as negociações e que uma definição sobre os pagamentos dos funcionários deve ocorrer até o início de dezembro. Ele confirmou a proposta feita pela direção da usina de parcelar os pagamentos, o que teria incomodado bastante os trabalhadores. Do total de 700 trabalhadores, 400 estariam sendo demitidos e destes, 70 são ligados ao Sindalco.

Cunha disse que durante o dia a empresa anunciou ter conseguido um aporte de R$ 3 milhões, que possibilitaria pagar pelo menos os valores do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

ACORDO
Segundo ele, o sindicato tenta chegar a um acordo o mais breve possível, pois, se isso não acontecer, a decisão vai para a Justiça, que marcará audiência apenas para fevereiro do próximo ano. "Se for para a Justiça, teremos que esperar e vai parcelar do mesmo jeito, pois a empresa não tem dinheiro para pagar", comentou.

O presidente do sindicato informou que caso chegue a um acordo, os trabalhadores conseguirão pelo menos dar baixa na carteira de trabalho para dar entrada no FGTS e no seguro-desemprego. A usina Revati, que pertence ao Grupo Renuka do Brasil S.A., está em processo de recuperação judicial. O grupo iniciou as atividades em Promissão em 1981, com a usina Equipav, e em 2008 inaugurou a Biopav, unidade de Brejo Alegre, que tem capacidade para moer quatro milhões de toneladas de cana por safra.

Em 2010, a empresa indiana Shree Renuka Sugar adquiriu participação majoritária nas duas usinas e rebatizou as duas unidades de Madhu (unidade de Promissão) e Revati (Brejo Alegre). Porém, com dificuldades financeiras, em 2015 a Renuka do Brasil deu início a um processo de recuperação judicial. No ano seguinte, os credores aprovaram um plano para a venda da usina Madhu, que chegou a ir leilão, mas não houve interessados.

LEILÃO
Os credores também aprovaram o leilão da Revati, como uma UPI (Unidade Produtiva Isolada), ou seja, sem pendências para o comprador. Entretanto, a pedido do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o leilão que aconteceria em setembro foi suspenso e não há previsão de data para ser realizado.

O presidente do Sindalco informou que caso o acordo de parcelamento das rescisões trabalhistas seja fechado, nele deve constar que em caso de venda da unidade, os valores serão quitados. A reportagem entrou em contato com a Renuka do Brasil, mas não recebeu retorno.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.376082

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