Tucano quer transformar a Santa Casa em hospital escola

AME Cirúrgico já está garantido, afirma Célio

Prefeito fala da disputa com Araçatuba pela unidade

O prefeito de Penápolis, Célio de Oliveira (PSDB), afirmou que o projeto do AME (Ambulatório Médico Especializado) Cirúrgico para o município está confirmado, independentemente de Araçatuba receber uma unidade também. Porém, o tucano ponderou que o local só será construído quando o governo estadual tiver dinheiro para inaugurar hospitais e AMEs prontos, mas sem recurso para entrar em funcionamento. 

Célio retornou ao Executivo em maio deste ano, após reformar decisão que havia cassado sua candidatura nas eleições do ano passado, por conta da Lei da Ficha Limpa. Enquanto esteve afastado da Prefeitura, assumiu interinamente o presidente da Câmara, Rubinho Bertolini (SD), que já havia concedido entrevista para a série, mas retornou ao comando da mesa diretora com a volta do tucano. 

Confira trechos da entrevista que Célio concedeu à Folha da Região:
    
Como o senhor encontrou a Prefeitura ao retornar ao Executivo?
A administração passada (interina) ficou com o melhor período de arrecadação, que é o primeiro trimestre. Eu entreguei a Prefeitura com R$ 8,2 milhões no caixa. Tivemos dificuldade no segundo semestre (do ano passado) no pagamento de fornecedores, porque eu acabei priorizando o funcionalismo público e situações emergenciais, como Santa Casa e consórcio de saúde. Como houve uma queda muito abrupta na arrecadação, nós fomos tocando a Prefeitura com déficit com os fornecedores. Chamei todos eles e disse o seguinte: em janeiro eu acerto com todo mundo, no quinto dia útil, porque eu sabia que entrariam os recursos. Deixamos um saldo negativo para pagá-los de R$ 4 milhões. Eles (governo interino) fizeram uma conta, quando divulgaram que deixamos uma dívida de R$ 12 milhões com R$ 8 milhões em caixa. Ainda que fosse, ela poderia ser saldada no primeiro trimestre de 2017. Quando pegamos a Prefeitura, no dia 15 de maio, tinha sido feito o pagamento dos fornecedores. Nessa data, a situação geral do caixa do município era semelhante a aquilo que aconteceu nos anos anteriores no mesmo período, até com a situação um pouco mais complicada. Em 2016, eu tinha deixado R$ 3 milhões em reserva para a segunda parcela do 13º salário dos funcionários públicos e peguei a Prefeitura em maio com somente R$ 1 milhão de reserva. Outra coisa: no período de quatro meses foi feito o pagamento de precatórios abaixo daquilo que deveria ter sido. Tive que fazer um complemento de cerca de R$ 250 mil.
    
O senhor tem algum plano para melhorar o caixa da Prefeitura e a arrecadação?
Eu consegui aprovar a prorrogação do Refis na Câmara até 31 de julho, porque muita gente estava recebendo o resíduo do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Estou fazendo um levantamento em cartórios de registro com relação à área do almoxarifado de 10 mil metros quadrados, que está no centro da cidade hoje. Uma coisa absurda. Tenho uma área ao lado de onde funciona a Emurpe. Já tem um projeto para construir o novo almoxarifado ali. Quero ver se consigo a venda dessa área no centro da cidade. Com o saldo, vou fazer investimento na frota sucateada e tentar deixar ainda um fluxo no caixa da Prefeitura. Meu projeto para o aumento da arrecadação é em cima do desenvolvimento da cidade, que foi aquela visão de médio prazo que tive quando desapropriei a área onde está sendo construída a área da Bonolat (empresa de laticínio), que vai gerar uma receita de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) muito grande para o município quando estiver funcionando. 
    
Neste seu segundo mandato, o senhor já identificou qual vai ser o maior desafio?
Com certeza na área da saúde. Nessas audiências que fiz em Brasília e hoje (sexta-feira, dia 9) em São Paulo, todas foram relacionadas à questão da saúde. Estou agora com a proposta de transformar a Santa Casa em hospital escola. Determinei a formação de mais uma equipe do Programa Saúde da Família. Vamos abrir concurso para contratar médicos. Estou gastando em saúde 34% do meu orçamento, quando a lei fala de 15%. Estou botando muita fé no projeto de hospital escola e na reclassificação da minha UTI (Unidade Terapia Intensiva) do nível um para dois. 
    
Esta questão do hospital escola e da mudança de nível na UTI tem relação com o projeto de levar o AME Cirúrgico para Penápolis? 
Tem a questão do AME que a gente está debatendo. Araçatuba também está pleiteando. Mas, na verdade, Araçatuba quer transformar o AME em um AME Mais. Não tem nenhuma situação nova, pelo menos é o que eu percebi. De qualquer forma, o AME de Penápolis - palavra do próprio secretário David Uip - é de Penápolis. Independe dessa questão de Araçatuba. O AME de Penápolis é uma questão que vem amadurecendo há quatro anos, com projeto aprovado e terreno doado. A região de São José de Rio Preto tem sete ou oito AMEs e a nossa tem dois, em Araçatuba e Andradina. Há uma falta disso e o governo (estadual) tem esse diagnóstico. Mas o governo tem problema em relação a caixa. O secretário me disse que o projeto do AME de Penápolis está confirmado desde o momento em que o governo vai falar o seguinte: está liberado, pode construir e vai funcionar o AME. Agora, o governo, segundo o secretário, primeiro precisa colocar em funcionamento unidades que serão inauguradas. 
    
Como é o seu relacionamento hoje com o presidente da Câmara? 
É um relacionamento institucional. O presidente da Câmara sempre foi muito prestigiado por mim politicamente. Ele ocupou cargos de confiança comigo na Câmara, depois no meu governo. Ele ganhou eleição em cima do meu palanque. Só que ele resolveu partir para um projeto dele. A interinidade tinha a esperança de uma nova eleição. Ele era o candidato e trabalhou para isso. Usou todas as armas que tinha para viabilizar a candidatura dele. Não é nenhum processo ilegítimo, mas não deu certo porque ganhei meu recurso em Brasília. No dia da minha posse, ele chegou a falar que “estamos juntos”, mas entre a palavra e a ação prática tem uma distância muito grande. Não tinha necessidade de falar que ia me apoiar. Não é bem isso que a gente tem visto. 
    
O senhor acredita que a crise política em Penápolis acabou definitivamente ou teme que seu mandato corra risco novamente por causa da votação do parecer desfavorável de suas contas em 2015 pelo TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo)?
Primeiramente, eu vou pedir revisão dessa situação. Em segundo lugar, eu não perderei mandato se a Câmara não aprovar minha prestação de contas. O máximo que poderá acontecer é essa rejeição de contas ser usada para me dar inelegibilidade no futuro. A minha rejeição de contas foi porque eu gastei a mais com funcionalismo, pois optei por não mandar pai de família embora. Isso não vai ser resolvido agora na Câmara. Não é um negócio que vai acontecer amanhã. Se a Câmara for fazer um julgamento técnico e querer rever o parecer do TCE-SP, isso teria que ser feito quase que por unanimidade. Eles sabem que não há nada grave para manter a rejeição na Câmara também. Mas o julgamento costuma ser político. Em 2015, tivemos uma queda de arrecadação brutal, com as demandas e o número de funcionários. Não tínhamos o que fazer. Não teve rejeição de contas por algo grave que aconteceu na Prefeitura.

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