A deturpação da rede social

Impressiona como formadores de opinião e representantes do poder público abusam desse meio

Consolidadas como grande espaço para a livre manifestação do pensamento, porém sem filtros, as redes sociais servem também como instrumento de denúncias de qualquer ilícito. Páginas podem ser “printadas”, vídeos e áudios gravados, os registros podem ser inúmeros. 

Isso é o que se pode constatar a cada condenação judicial que tem saído com frequência ultimamente por causa de ofensas, ataques, ameaças, entre tantos outros atos que, no mínimo, caracterizem falta de respeito de um cidadão com o outro, característica fundamental em uma democracia. Isso, por mais que haja divergências de ideiais entre as pessoas.

No caso mais recente a promover esse tipo de reflexão, um representante do poder público, membro do alto escalão do governo da segunda maior cidade da região, acaba de ser condenado a pagar indenização por danos morais em virtude de ofensa praticada por meio do Facebook. 

O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) manteve decisão da Justiça de Birigui que puniu o secretário municipal de Cultura, Elder Scanferla, por manifestações on-line que atingiram a ex-secretária de Educação Sônia Regina Guaraldo. A diferença foi que o tribunal diminuiu o valor da indenização — de R$ 8,8 mil caiu para R$ 4 mil.

Durante a campanha eleitoral do ano passado, quando tentou se eleger vereador, Scanferla teria afirmado que Sônia é a “imperadora da Secretaria de Educação”, estaria “mamando na teta da Prefeitura há 12 anos” e que seria a “imperadora do castelo de R$ 7 milhões”, numa referência à obra do Centro do Professorado, até hoje inconclusa.

Com o entendimento de que as redes sociais são terrenos férteis para a liberdade de expressão, muita gente tem esquecido, no entanto, que vivemos em uma democracia e este regime pressupõe também o respeito às diferenças. 

Lamentavelmente, esta não é a visão que certas personalidades públicas e até mesmo formadores de opinião têm. Só para citar mais um exemplo regional além do secretário do prefeito biriguiense Cristiano Salmeirão (PTB), no primeiro semestre, um professor de Murutinga do Sul foi condenado a retirar do Facebook postagens de cunho ofensivo contra o prefeito daquela cidade, Gilson Pimentel (PSDB).

Portanto, a interferência do Judiciário no mundo digital, amparado na legislação, é necessária para evitar que conteúdos caluniosos ou difamatórios “viralizem” com curtidas, comentários e compartilhamentos. Quem quer seguir carreira na vida pública precisa ter essa consciência em relação às redes sociais, um instrumento que deve ser visto para aproximar e não atingir pessoas.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.374832

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