A arte de escolher vencer

Segundo o Censo 2010, 45,6 milhões de pessoas se declararam portadoras de deficiência

A história de Cristiane Barbosa França, de Penápolis, é de causar, antes de mais nada, muita reflexão a quem a conhece. Deficiente física desde a infância, mãe de dois filhos, vem sobrevivendo com jogo de cintura às intempéries da vida. Muitos “jogam a toalha” por bem menos.

Vítima de bullying na infância, viu seu filho caçula, que não apresenta qualquer deficiência, ser achacado na escola por causa da sua própria condição física. Talvez, por desconhecimento, muitos vejam os deficientes físicos com ressalvas, como pessoas incapazes de viver a vida. Cristiane, no entanto, deu a volta por cima e mostrou que, mais do que viver a vida, domina a arte de ajudar o próximo a entender e respeitar essa condição. Por meio de seu livro, que ainda aguarda doações para que seja lançado, ela quer mostrar a todos que é possível levar uma vida normal, ainda que se tenha limitações. Aliás, limitações têm todas as pessoas e a vida se resume a tentar vencê-las.

Segundo o Censo 2010, 23,9% da população brasileira, ou seja, 45,6 milhões de pessoas, se declararam portadoras de alguma deficiência. Número alto para que o governo não se preocupe. Foram editadas medidas “protetivas”, como a lei que garante número mínimo de empregados portadores de deficiência em cada empresa, dependendo do tamanho, mas, infelizmente, as ações ainda são tímidas. De que adianta garantir emprego se não há qualificação para estas pessoas? Fato é que sobram vagas para deficientes físicos, enquanto o Brasil amarga o triste número de mais de 12 milhões de desempregados.

A própria Cristiane pode ser usada como exemplo de como vem sobrevivendo essa grande parcela da população: na informalidade e com uma pensão mínima. Como garantir dignidade dessa forma? Estudos mostram que o custo de vida de uma pessoa com deficiência é 40% maior e os empregos, nem sempre, são condizentes com as necessidades dessas pessoas que, geralmente, possuem benefício do INSS.

A lei de inclusão social, criada em 2004, foi um avanço para essa grande parcela da população, mas, por si só, não será capaz de garantir a colocação desta no mercado de trabalho. E, também, não pode ser tratada de forma igual, pois, há casos em que as empresas não conseguem pessoas capacitadas para as vagas que abrem.

O que deve ser feito é acabar com o preconceito e aumentar a autoestima dos próprios portadores de deficiência que, de uma maneira ou de outra, já sofreram tanta discriminação que acreditam não haver vida na condição em que se encontram, seja ela um deficiência congênita ou que, por alguma fatalidade, foi adquirida ao longo da vida. Existem muitas histórias de superação, exemplos de sucesso e muitas maneiras de provar que a vida continua, desde que haja pessoas dispostas a darem as oportunidades.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.385758

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