É difícil de entender a classe política de Birigui

Está cada vez mais difícil entender a argumentação da classe política de Birigui em relação à crise econômica que tem afetado, em cheio, os municípios. Em 14 de fevereiro, a Câmara aprovou a criação de 18 cargos comissionados com salários que variam de R$ 4,5 mil a R$ 5,9 mil. Um dia antes, o prefeito Cristiano Salmeirão (PTB) havia dito que não tinha dinheiro para comprar uniformes escolares.

Agora, uma nova situação. Praticamente um mês após o chefe do Executivo informar, em entrevista à Folha da Região, que a previdência dos servidores municipais tem um rombo de R$ 472 milhões, a pedido dele próprio, o Legislativo inicia discussão sobre o aumento de seu salário e ainda do vice-prefeito Carlito Vendrame (PTN) e dos 15 secretários municipais. 

O discurso oficial é de atualização salarial dos agentes políticos em 4,99%, com base na inflação acumulada de março de 2016 e fevereiro deste ano. Porém, difícil foi evitar desgastes. Nas redes sociais, inúmeras foram as críticas. A proposta só não foi votada na última terça-feira após adiamento, o que ocorreu em meio a protesto de funcionários públicos na sede do Legislativo. Os servidores, que seriam beneficiados com o mesmo percentual, reivindicam aumento maior.

Levando-se em conta a necessidade de fazer economia e, diante de tantas outras responsabilidades que o município deixou ou deixará de cumprir por causa do aperto financeiro, como é o caso dos uniformes, não seria imprudente se, pelo menos neste momento, fosse evitado o aumento salarial para os políticos. 

Até porque o salário do prefeito, vice e dos secretários supera, e muito, a média do que ganha o trabalhador comum da segunda maior cidade da região e tem um perfil operário. Segundo o texto, a remuneração de Salmeirão passaria dos atuais R$ 16.827,31 para R$ 17.666,99, enquanto a de Carlito subiria de R$ 5.609,10 para R$ 5.888,99. Já a dos secretários saltaria de R$ 6.405,78 para R$ 6.725,43.

Fica difícil, assim, o atual governo ter apoio da população, pedido este feito por Salmeirão em janeiro, também em entrevista a esta Folha, quando divulgou que as dívidas do município superavam R$ 45 milhões. Não se espera, necessariamente, que o governante tome medidas como abrir mão do seu próprio salário ou a doação de seu vencimentos, algo que, na visão dos mais críticos, caracteriza populismo. 

É esperada, isso sim, austeridade com o dinheiro público. Fazer política precisa deixar de ser interessante pelo que se recebe. Deve ser atrativa pelo resultado das ações que beneficiam a população, em geral.