
Agência Brasil / Arquivo
O embaixador iraniano no Brasil, Mohsen Shaterzadeh |
Brasília - O embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, minimizou a reação da comunidade internacional à decisão do governo iraniano de enriquecer urânio a 20%. Em entrevista à EBC (Empresa Brasil de Comunicação), o embaixador afirmou ontem (8) que cabe à Aiea (Agência Internacional de Energia Atômica) inspecionar o programa nuclear de seu país e que o presidente Mahmoud Ahmadinejad não quer fechar as portas às negociações para a compra de combustíveis de outros países.
'Não fizemos nenhum ato ilegal. O enriquecimento de urânio é feito sob a supervisão da Aiea. Países opressores não podem governar outros países independentes e soberanos como o Irã', disse Shaterzadeh sobre a iniciativa dos Estados Unidos e da França em pedir sanções ao Irã. 'A Aiea deve se ocupar desse assunto. Nenhum país tem o direito de impor opinião ou pensamento a nós.'
O embaixador iraniano declarou que mantém confiança no apoio brasileiro, embora não tenha conversado com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre as mudanças.
'Não vimos razão para conversar com o ministro Celso Amorim, mas o presidente Lula certamente tem convicção de que o programa nuclear, assim como o brasileiro, tem fins pacíficos', declarou. 'Nós acreditamos completamente no Brasil. Temos interesses comuns e nenhum país poderia intervir para desfazer essa colaboração.'
Shaterzadeh acrescentou que o governo iraniano manterá o diálogo com a comunidade internacional para a compra de combustíveis para seus reatores nucleares, mas não aceitará imposições. 'As condições, nós deveremos colocar. Dissemos o que precisamos e esperamos dois meses. O vendedor não tem direito de colocar condições', afirmou.
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